Apoiantes de Macron defendem coligação para evitar eleição de Le Pen

Apoiantes de Macron defendem coligação para evitar eleição de Le Pen

Duas figuras do campo do Presidente francês, Emmanuel Macron, apelaram hoje para a formação de uma coligação que impeça a extrema-direita de chegar ao poder na eleição presidencial de 2027 em França.

© Yoan VALAT / POOL / AFP via Getty Images


07/09/2026
por

Lusa

O “apelo solene” feito por Clément Beaune e Philippe Grangeon surge após a vitória histórica do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições regionais de domingo na Saxónia-Anhalt (leste).

 

Beaune, Alto-Comissário para o Planeamento, e Grangeon, antigo conselheiro especial de Macron, consideraram que uma vitória de Marine Le Pen, favorita à vitória na primeira volta prevista para 18 de abril, não é uma fatalidade.

Para os dois pilares da campanha de Macron em 2017, “a ideia-chave resume-se numa frase: ninguém ganhará nem governará sozinho em 2027”.

“É necessário, portanto, pela primeira vez sob a V República, tentar construir uma coligação antes da eleição presidencial, em vez de a improvisar, sob pressão, na noite de uma segunda volta e, depois, necessariamente com vista às eleições legislativas”, defenderam.

Marine Le Pen, 58 anos, do partido União Nacional, candidata-se pela quarta vez à presidência.

Em 2012, foi terceira, atrás de François Hollande e Nicolas Sarkozy, e passou à segunda volta em 2017 e 2022, mas foi derrotada por Macron, que não pode concorrer em 2027.

Num artigo publicado na revista política La Grande Conversation e citado pela agência francesa AFP, Beaune e Grangeon afirmaram que a aliança contra Le Pen deve reunir o bloco central, a esquerda e a direita.

O apelo dirige-se “primeiro aos atores do campo central, depois à esquerda impermeável da França Insubmissa [esquerda radical] e à direita hermética da União Nacional, e finalmente a todos os cidadãos que recusam a resignação”, defenderam.

Em França, a multiplicação de candidaturas no espaço político situado entre a extrema-direita e a esquerda radical faz temer uma pulverização de votos que poderá provocar a eliminação das forças moderadas logo na primeira volta.

Tal cenário abriria caminho a uma segunda volta entre Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, no final da qual as sondagens preveem uma vitória expressiva da candidata da extrema-direita.

Beaune e Grangeon recusaram qualquer aliança com Os Republicanos (direita) em função das orientações atuais do partido, o qual, defenderam, deve clarificar a posição em relação à extrema-direita.

O bloco centrista encontra-se particularmente fragmentado com as candidaturas concorrentes de dois antigos primeiros-ministros de Macron, Édouard Philippe e Gabriel Attal, que ostentam publicamente as divergências.

Para construir a coligação, Beaune e Grangeon definiram três etapas, sendo a primeira a unidade “em torno de uma base de valores fundamentais”, com a Europa “como horizonte”, a democracia “como método de ação” e a juventude “como ambição prioritária”.

Em seguida, “deduzir daí um programa de coligação” e, finalmente, “escolher a equipa chamada a encarná-lo”.

Para os dois autores, as sondagens poderão então fazer emergir um candidato, a menos que sejam organizadas eleições primárias.

“Nenhuma alternativa se desenha até à data. Se acreditamos sinceramente que a hora é grave, então temos de agir com gravidade”, argumentaram.

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