Assembleia popular no Porto decide não pernoitar na Praça D. João I

Assembleia popular no Porto decide não pernoitar na Praça D. João I

As cerca de 200 pessoas que participaram hoje na assembleia popular no Porto decidiram que, “enquanto movimento”, não vão continuar esta noite na Praça D. João I, prometendo regressar no sábado.

© Diogo Baptista/SOPA Images/LightRocket via Getty Images


30/10/2026
por

Lusa

assembleia porto habitação

As cerca de 200 pessoas que participaram hoje na assembleia popular no Porto decidiram que, “enquanto movimento”, não vão continuar esta noite na Praça D. João I, prometendo regressar no sábado.

 

“A votação é indicativa, não vinculativa, cada um tem a sua liberdade individual. Enquanto movimento não vamos gastar esforços a montar a resistência e permanência esta noite”, anunciou um dos membros do movimento acampada Porto, Sérgio Bastos.

A assembleia popular, que ainda decorria pelas 22:40, discutiu ainda se vai reunir-se ou não com o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, no Teatro Rivoli, mas não foi levada a votação nenhuma proposta nesse sentido, ou em sentido contrário.

“As deliberações são tomadas aqui, na praça, não são tomadas em gabinetes nem por movimentos à parte”, ouviu-se no microfone aberto que já faz parte do cenário destas assembleias.

Entre as palavras de ordem, houve uma opinião consensual: “O povo manda e os governantes obedecem”, frase que foi repetida e aplaudida.

Ouviu-se ainda: “[Isto] é um diálogo, é preciso falar, mas também é preciso ouvir” e “não se leve isto ao desgaste porque não se vai conseguir que ele [presidente da câmara] venha aqui”.

Ao microfone, representantes do movimento que coordena os trabalhos explicou também o que fazer em caso de intervenção policial, como agir em caso de detenção e “como resistir”, mas de forma pacífica.

Enquanto decorria a assembleia, pela Praça D. João I alguns presentes dançavam e crianças corriam: “Temos aproveitado estes momentos para mostrar aos nossos filhos o que é a Democracia. Discutir, votar e aceitar o resultado”, explicou à Lusa Manuel, que levou os dois filhos, de 4 e 7 anos à Praça D.João I.

Numa noite que começou a ser fria, a cantina social continuou a alimentar o estômago e a aquecer as conversas: “Vamos permanecer aqui, mesmo sem pernoitar, enquanto temos comida”, disseram outros.

“Haverá sempre alguém que fica nesta praça”, garantiram.

No sábado, pelas 16:00, está marcada uma nova manifestação com inicio na Praça da Batalha e que irá percorrer as ruas da cidade até à Praça D. João I.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

Na semana passada, a PSP dispersou à bastonada e com recurso a cães as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os protestos pelo direito à habitação começaram a 10 de outubro na Praça D. João I, no Porto, e em Lisboa a 17 de outubro na Praça de D. Pedro IV, tendo existido tensão com a polícia que não permite que as tendas permaneçam durante a noite nestas praças.

A primeira carga policial aconteceu no Porto a 15 de outubro.

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.