Um bombardeamento atribuído ao exército venezuelano contra um acampamento do ELN em território venezuelano causou várias mortes, segundo uma ONG. Vídeos divulgados mostram corpos espalhados e ruínas de um acampamento em Apure, perto da fronteira com a Colômbia.
© Lusa
01/11/2026
por
Lusa
Um bombardeamento atribuído ao exército venezuelano contra um acampamento da guerrilha colombiana ELN em território venezuelano causou várias mortes, afirmou no sábado à AFP a organização não governamental Fundaredes.
A Fundaredes partilhou com a AFP um vídeo em que se vêem vários corpos espalhados pelo chão, árvores derrubadas e as ruínas do que parece ser um acampamento numa zona rural arborizada do estado de Apure, perto da fronteira com a Colômbia.
Segundo a ONG, as imagens datam de sexta-feira, 30 de outubro.
Contactadas pela AFP, as autoridades venezuelanas não responderam de imediato.
Segundo o diretor da Fundaredes, Javier Tarazona, um dos seus colaboradores contou nove cadáveres, tratando-se do “primeiro bombardeamento da Venezuela contra o ELN”, a guerrilha ativa mais poderosa do continente depois do desarmamento da maior parte das FARC colombianas em 2016.
Segundo a Fundaredes e a ativista dos direitos humanos e especialista em assuntos militares Rocío San Miguel, informações recolhidas junto de habitantes da região dão conta de cerca de mais uma dezena de mortos do ELN.
Segundo as fontes, o bombardeamento ocorreu na zona de Buena Vista del Meta, no estado de Apure, que faz fronteira com o departamento colombiano de Vichada.
“Os habitantes da zona comunicaram o ataque, comunicaram as mortes” e afirmaram que as vítimas eram membros do ELN, declarou Rocío San Miguel à AFP.
“Há muito medo na zona” porque “as pessoas estão sujeitas a enormes pressões por parte da guerrilha do ELN”, acrescentou.
Para além do ELN, outros grupos armados estão ativos ao longo dos 2.219 quilómetros de fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, como facções dissidentes da ex-guerrilha das FARC, que se enfrentam entre si pelas importantes receitas do narcotráfico e da exploração mineira ilegal.
Bogotá há muito que acusa as autoridades venezuelanas de dar abrigo às forças ilegais que operam na Colômbia.
Com o apoio dos Estados Unidos, o Presidente colombiano, Abelardo De la Espriella, lidera uma ofensiva militar contra os grupos armados que se financiam através do narcotráfico na Colômbia.
A Venezuela também se alinhou aos interesses de Washington após o derrube e captura do presidente Nicolás Maduro durante uma operação norte-americana em janeiro.

