Ataques aéreos ucranianos terão afetado 51% da refinação da Rússia

Ataques aéreos ucranianos terão afetado 51% da refinação da Rússia

O ministério da defesa ucraniana afirmou hoje que os seus ataques de longo alcance neutralizaram mais da metade da capacidade de refinação de petróleo da Rússia, prejudicando a capacidade para abastecer as suas tropas.

© Yevhen Kotenko / Ukrinform/Future Publishing via Getty Images


05/10/2026
por

Lusa

O Ministério da Defesa informou que ataques recentes a refinarias em cidades como Moscovo, Yaroslavl, Ust-Luga, Perm, Saratov e Syzran deixaram inoperante 51% da capacidade de refinação de petróleo da Rússia, afirmação que não pôde ser confirmada de forma independente.

 

Tanto Moscovo como Kyiv intensificaram os seus ataques aéreos, enquanto o avanço ao longo da linha de frente, de 1.200 quilómetros, praticamente estagnou.

As forças ucranianas têm atacado repetidamente refinarias, de Moscovo à Sibéria, desencadeando uma crise generalizada de combustível na Rússia desde o início deste ano, o que forçou restrições à venda de gasolina.

Autoridades russas não divulgaram publicamente dados sobre os danos causados nas infraestruturas petrolíferas do país.

Contudo, numa rara admissão feita na quinta-feira, o Presidente Vladimir Putin disse que os ataques já custaram à Rússia cerca de 1% do seu Produto Interno Bruto (PIB).

“Eles [Ucrânia] começaram a atacar refinarias de petróleo e declararam abertamente o objetivo de prejudicar a nossa economia. Eles alcançaram seu objetivo? Parcialmente”, admitiu Putin numa reunião do Clube Valdai, um fórum de especialistas internacionais em política externa.

O Ministro da Defesa da Ucrânia, Yevhenii Khmara, afirmou que analistas dos serviços de inteligência, do Estado-Maior e do Ministério da Defesa da Ucrânia avaliaram que os efeitos dos ataques visaram 51% da capacidade de refinação russa.

Historicamente, a Rússia tem sido a terceira maior produtora mundial de combustíveis refinados a partir de petróleo bruto, atrás dos EUA e da China.

Algumas das 32 refinarias da Rússia foram atingidas até 15 vezes desde o início da guerra, e uma outra foi alvo de ataques a cada três dias nos últimos meses, criando um ciclo de danos e reparações de emergência que pode deteriorar as unidades a longo prazo, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Os ataques ucranianos também têm visado, cada vez mais, equipamentos mais complexos, responsáveis pela remoção de impurezas dos combustíveis, infraestruturas cuja reparação leva meses.

A AIE afirma que a produção de diesel caiu cerca de 30% e que os automobilistas russos têm enfrentado filas de até 40 horas para abastecer em postos de gasolina.

As refinarias russas tentaram compensar a situação adiando manutenções programadas e reativando unidades que estavam desativadas. Outra medida adotada foi a redução dos padrões de qualidade do combustível para manter o abastecimento de gasolina, o que traz riscos de danos nos motores e nos equipamentos de controle de poluição.

O Kremlin também proibiu as exportações de diesel, o que elevou os preços globais e levou o Presidente dos EUA, Donald Trump, a instar a Ucrânia, a 13 de setembro, a parar de atacar refinarias.

Entretanto, um ataque russo com um míssil matou hoje pelo menos uma pessoa e feriu outras 10 na cidade ucraniana de Kharkiv, informou o presidente da câmara local, Ihor Terekhov, que admitiu poder haver pessoas sobre os escombros.

Um ataque anterior com drone russo no distrito de Industrialnyi, na mesma cidade, também matou uma pessoa no domingo, disse Terekhov.

O Ministério da Defesa da Rússia informou, em comunicado, que atingiu uma subestação elétrica na região de Kharkiv, além de infraestruturas energéticas e portuárias e embarcações utilizadas pelas forças armadas da Ucrânia.

A Força Aérea da Ucrânia afirmou que a Rússia lançou 205 drones entre a noite de domingo e hoje, dos quais 172 foram abatidos ou neutralizados.

Nas últimas semanas, a Ucrânia tem enfrentado dificuldades para repelir a intensificação dos ataques aéreos russos contra Kyiv, que incluem mísseis balísticos e drones de alta altitude.

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