Ativistas na diáspora pedem “mediação séria e justa” do Senegal e CEDEAO

Ativistas na diáspora pedem

Um grupo de ativistas da Frente Única e da Rede Internacional de Solidariedade com a Guiné-Bissau entrega hoje na embaixada do Senegal em Londres um manifesto exigindo uma mediação séria e justa da crise política guineense.

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23/10/2026
por

Lusa

Um grupo de ativistas da Frente Única e da Rede Internacional de Solidariedade com a Guiné-Bissau vai entregar hoje na embaixada do Senegal em Londres um manifesto urgindo uma “mediação séria e justa” da crise política guineense.

 

Na missiva, as organizações acusam a CEDEAO de responsabilidade pela “consolidação de uma ditadura dirigida por um Comando Militar golpista” e questionaram a indicação do Senegal para liderar a mediação, decidida na cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da organização, realizada em julho, em Freetown, na Serra Leoa.

O documento, ao qual à agência Lusa teve acesso, expressa “enérgica indignação face à inação” do Senegal enquanto mediador da fase atual da crise e exige ações imediatas da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para o “regresso à ordem constitucional e democrática” no país.

Das medidas propostas, os signatários pedem a “libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos”, a reabertura das sedes dos partidos políticos e o levantamento das restrições impostas a partidos, organizações da sociedade civil e imprensa.

Caso persistam os entraves ao regresso à normalidade constitucional, exigem a aplicação de “severas sanções individuais” da CEDEAO aos responsáveis.

O documento, intitulado “Manifesto à Mediação Senegalesa da CEDEAO para a Guiné-Bissau”, é subscrito pela plataforma guineense Frente Única e pela Rede Internacional de Solidariedade com Guiné-Bissau.

Esta última, lançada no início do mês, é uma coligação internacional de organizações, dirigentes políticos e aliados de diferentes países, incluindo do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Aliança Africana dos Partidos Revolucionários (A-APRP), Aliança Negra pela Paz (BAP), Organização dos Povos da África Ocidental (WAPO), Plataforma Mundial Anti-Imperialista (WAP), Pan-Africanismo Hoje (PAT) ou do Movimento Socialista do Gana.

A divulgação do manifesto acontece na véspera de um “Dia de Ação”, no sábado, no qual estão previstas manifestações em Dacar, Praia, Lisboa, Londres, Baltimore e Luxemburgo.

O poder na Guiné-Bissau está nas mãos de uma junta militar desde o golpe de Estado registado em 26 de novembro de 2005, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, que afastou o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, e fez aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.

A oposição considerou que se tratou de uma manobra encenada para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições marcadas pelos militares para 06 de dezembro, já entretanto adiadas sem data.

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