O Festival Literário Babell deverá regressar ao Porto em 2028, com periodicidade bienal, anunciou Rui Couceiro, com o modelo de financiamento mantido.
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28/10/2026
por
Lusa
Babell
O Festival Literário Babell deverá regressar ao Porto em 2028, passando a realizar-se de dois em dois anos e mantendo o modelo de financiamento, anunciou hoje o seu comissário, Rui Couceiro, num congresso internacional do setor literário, em Lisboa.
O escritor e editor falava na segunda sessão do congresso internacional “E agora? Congresso Internacional do Setor Literário em Tempos de Agitação Política”, integrado nos Dias da Literatura de Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian.
Depois de apresentar o modelo, a experiência e o balanço do Festival Babell, que se realizou em junho deste ano no Porto, Rui Couceiro foi questionado pelo moderador, Peter Florence, sobre a sua continuidade.
“Provavelmente, vamos realizá-lo de dois em dois anos. Provavelmente, a próxima edição será em 2028”, respondeu Rui Couceiro, acrescentando que deverá ser mantido o modelo de financiamento da primeira edição, embora com uma “atualização” que não especificou.
Segundo Couceiro, a primeira edição do Babell, que representou um investimento superior a três milhões de euros, foi financiada quase integralmente pelo presidente da Fundação Livraria Lello, Pedro Pinto, que “decidiu que queria gastar dinheiro”, contando também com uma pequena parcela de financiamento público.
“Mas a maior parte, quase tudo, foi diretamente financiada pelo proprietário da livraria”, acrescentou.
A perspetiva de uma segunda edição surge um dia depois de a Fundação Livraria Lello ter divulgado o balanço do Babell, num comunicado em que Pedro Pinto lamenta que o evento não tenha contribuído para uma candidatura do Porto a Capital Mundial do Livro 2028.
“Gostaríamos que este impulso tivesse contribuído para uma candidatura a Capital Mundial do Livro 2028, uma oportunidade que lamentamos não ter sido aproveitada”, afirmou Pedro Pinto.
Na sua intervenção hoje, Rui Couceiro destacou o modelo de acesso às sessões literárias, que substituiu a compra de bilhetes pela aquisição de livros em mais de 50 livrarias aderentes do Porto, permitindo vender milhares de livros, levar leitores a descobrir livrarias e ajudar alguns estabelecimentos a suportar despesas equivalentes a um ano de renda.
O comissário defendeu que este modelo, que não implicou o pagamento de comissões à organização, deveria ser experimentado por outros festivais literários, em Portugal e no estrangeiro.
Rui Couceiro afirmou ainda que o festival registou uma taxa de satisfação do público de 95%, apesar dos problemas de interpretação simultânea ocorridos, em particular, na sessão inaugural, com o filósofo Byung-Chul Han.
Segundo o balanço, a primeira edição do Babell, que decorreu entre 24 e 29 de junho, reuniu mais de 400 mil participantes nas várias atividades culturais, incluindo concertos, exposições e iniciativas literárias.
As conversas com escritores atraíram mais de 35 mil pessoas, com a participação de autores como Salman Rushdie, Margaret Atwood, Olga Tokarczuk, László Krasznahorkai, Julian Barnes, Javier Cercas, Lídia Jorge, Valter Hugo Mãe e Gonçalo M. Tavares.
De acordo com um inquérito divulgado pela organização, 71% dos participantes inquiridos compraram dois ou mais livros, enquanto outro estudo revelou que 95% manifestaram interesse em regressar a uma próxima edição.
Um estudo conduzido pelo ISAG–European Business School e pelo CICET-FCVC estimou em 54,1 milhões de euros o impacto económico direto associado ao festival, incluindo 13,12 milhões de euros em despesas com livros, com base na extrapolação dos resultados de um inquérito para o universo de 405 mil participantes.

