Beber água potável da torneira já não é possível nesta cidade da Noruega

Beber água potável da torneira já não é possível nesta cidade da Noruega

Uma cidade norueguesa verificou que os níveis de metais pesados na água são superiores ao que é recomendado para que não haja impacto na saúde. Comunidade deixa alerta a outras regiões, como o Canadá ou o Alasca.

© ShutterStock


19/10/2026
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Notícias ao Minuto

Os cerca de 2.600 habitantes de Longyearbyen, no arquipélago norueguês de Svalbard, deixaram de poder beber água da torneira de forma segura. Em causa está a contaminação da água por metais pesados, num dos locais que está a sofrer de forma mais rápida o impacto das alterações climáticas.

 

Segundo explicam as publicações internacionais, a principal fonte de água potável da cidade vem do lago Isdammen, também conhecido como a Lagoa de Gelo.

Os cientistas que analisaram os resultados feitos à água em questão defendem que na origem desta situação estão as alterações climáticas, que terão provocado o degelo da camada de subsolo denominada como permafrost. O degelo causa exposição de materiais rochosos, que por sua vez libertam metais para a água.

De acordo com os estudos feitos, Longyearbyen, que fica a 1.287 quilómetros do Polo Norte, está a aquecer a uma taxa entre entre cinco a sete vezes superior à média global, com temperaturas a subir 4ºC por cada dez anos. 

“A combinação do degelo do permafrost e da rocha matriz de xisto, que contém um mineral chamado pirita – ou ‘ouro de tolo’, devido à sua aparência dourada e metálica -, está causar a contaminação do abastecimento de água”, explicou Marjolaine Verret, especialista em permafrost e professora associada de geologia ártica no Centro Universitário de Svalbard.

Segundo o que detalhou, quando este mineral entra em contacto com águe e oxigénio, acaba por oxidar. O problema no caso desta cidade norueguesa começou por dizer respeito à presença de manganês na água, tóxico quando consumido em excesso e por longos períodos.

O município começou por alertar os residentes sobre a má qualidade da água em setembro do ano passado, quando as análises revelaram que os níveis de manganês estavam 25 vezes acima do limite de 50 microgramas por litro recomendados pelo Instituto Norueguês de Saúde Pública.

Segundo Terje Aunevik, mayor da cidade, os níveis da água potável nunca foram bons, mas devido à presença de sedimentos os níveis de manganês “dispararam”.

A exposição prolongada deste metal na água podem criar problemas neurológicos, nomeadamente, em crianças e bebés.

Depois do primeiro alerta, ainda no ano passado, foram colocadas em práticas medidas de emergência, como a instalação de uma central para purificação da água, e, apesar de os níveis de manganês terem descido, já este ano constatou-se que os níveis de sulfato e níquel excediam os limites recomendados para a água potável. Posto isto, a proibição permanece em vigor.

“Na Noruega, onde sempre demos como certo que podemos beber a água da torneira, é um desafio começar a pensar que precisamos carregar a nossa própria água, como fazemos agora. Outras pequenas comunidades deveriam ser cautelosas e começar a refletir sobre o que fazer caso algo semelhante aconteça com suas fontes de abastecimento”, referiu o mayor, dando conta de que mesmo soluções como as instalações de centrais para purificar são “extremamente caras” – e, por vezes, até por causa da manutenção, dadas as temperaturas baixas.

A especialista Marjolaine Verret e outros cientistas têm vindo a alertar que o que está a acontecer em Longyearbyen é um aviso para o que se seguirá para outras comunidades na zona do Ártico: “Estes elementos [rocha matriz rica em pirita e metais pesados] e o degelo do permafrost estão presentes noutras partes do Ártico, portanto, este pode ser um primeiro exemplo de como as mudanças climáticas podem impactar a água doce, por exemplo, no norte do Canadá e no Alasca.”

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