Rússia critica sistema educativo em França devido a protestos estudantis

Rússia critica sistema educativo em França devido a protestos estudantis

O porta-voz da presidência russa (Kremlin), Dmitry Peskov, criticou hoje a violência de alguns manifestantes que, durante os protestos estudantis que decorrem há duas semanas em França, perpetraram atos de vandalismo contra instituições de ensino francesas.

© Ramil Sitdikov / POOL / AFP via Getty Images


07/10/2026
por

Lusa

“Aqueles que incendeiam escolas, contentores de lixo e carros, que atacam polícias, são maus alunos”, afirmou na sua conferência de imprensa diária por telefone, garantindo que, na Rússia, os estudantes são valorizados.

 

Apesar de referir que “o que acontece em França é assunto interno da França”, Peskov aproveitou para elogiar o sistema educativo russo.

“Tanto o Governo como o Presidente, [Vladimir Putin], estão a fazer tudo o que é possível para melhorar o sistema educativo, para abrir novos centros educativos, novas escolas”, disse, sublinhando que milhares de escolas são construídas ou renovadas anualmente na Rússia.

Segundo o porta-voz do Kremlin, todas estas ações visam garantir que a educação na Rússia “está verdadeiramente ao mais alto nível internacional”.

“A julgar pelo que está a acontecer em França, o nosso sistema educativo supera mesmo o padrão internacional, se é que o sistema educativo francês pode ser associado a um padrão internacional de alguma forma”, afirmou.

Questionado sobre a violência policial que fez várias vítimas durante as manifestações em França, Peskov indicou que esta questão deveria ser dirigida às autoridades francesas e não ao Kremlin.

Os protestos estudantis reuniram dezenas de milhares de pessoas na terça-feira em Paris e noutras grandes cidades francesas, em defesa de uma melhor educação e contra os cortes no setor público, numa altura em que o Governo francês está sob pressão devido à desconfiança no mercado.

A mobilização reuniu 266 mil pessoas em toda a França, segundo o Ministério do Interior, em comparação com 450 mil, de acordo com os grupos estudantis organizadores.

Em Paris, as autoridades contabilizaram 56 mil manifestantes, enquanto os organizadores estimaram o número em 100 mil.

A revolta dos alunos do ensino secundário, que começou a meio de setembro numa escola nos arredores de Paris e se alastrou a toda a França para exigir melhores condições nas escolas e uma melhor organização dos estudos, foi apoiada por vários sindicatos e partidos de esquerda.

Sob pressão da agitação social, o Presidente francês, Emmanuel Macron, convocou vários dos seus ministros na noite de terça-feira para encontrar uma solução para a crise, que alguns sindicatos de estudantes querem prolongar até 17 de outubro, dia de uma manifestação planeada contra o elevado custo de vida.

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Andrea Pinto | 08:53 – 07/10/2026

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