França investiga 10 suspeitas de abusos policiais em protestos estudantis

França investiga 10 suspeitas de abusos policiais em protestos estudantis

A Inspeção-geral da Polícia Nacional francesa, conhecida como a “polícia da polícia”, abriu 10 investigações por suspeitas de violência e abusos policiais desde o início dos protestos estudantis, anunciou hoje o Ministério do Interior.

© Guy Smallman/Getty Images


05/10/2026
por

Lusa

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, está pronto a responder às perguntas das “comissões competentes da Assembleia Nacional ou do Senado” que o desejem ouvir sobre as instruções dadas, a doutrina de manutenção da ordem pública ou as condições de intervenção das forças de segurança, segundo fontes próximas do dirigente, citadas pela agência de notícias francesa AFP.

 

No total, foram detidas 6.059 pessoas desde 28 de setembro – quando o movimento escalou e foram registados confrontos violentos – e 715 polícias ou ‘gendarmes’ (militares com funções de polícia civil) ficaram feridos.

O movimento estudantil, que já dura há cerca de duas semanas, tem gerado fortes confrontos e a sua repressão tem sido alvo de críticas pela violência usada, sobretudo no caso dos manifestantes menores de idade.

A intervenção da “polícia da polícia” foi decidida na sequência de relatos de ferimentos graves provocados por armas de dispersão e bastonadas.

Em alguns casos, foram denunciados incidentes em que jovens focaram gravemente lesionados nos olhos e no rosto e um adolescente sofreu a mutilação de uma das mãos devido à explosão de uma granada de dispersão.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Liga dos Direitos Humanos e a Amnistia Internacional, denunciaram “graves violações do Estado de Direito”, referindo terem sido feitas cerca de 6.000 detenções, a maioria das quais de jovens menores de idade, durante o controlo das manifestações e dos bloqueios escolares.

Os protestos estudantis em França começaram a 21 de setembro contra as condições de ensino e a falta de investimento na educação pública.

O movimento, que teve início nos arredores de Paris, espalhou-se rapidamente por todo o país, com os jovens a contestar a falta de professores no início do ano letivo, a sobrelotação de turmas e degradação das infraestruturas das escolas.

Centenas de estabelecimentos de ensino por todo o país foram total ou parcialmente fechados devido às barricadas estudantis.

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