ONU pede calma e respeito nas manifestações estudantis em França

ONU pede calma e respeito nas manifestações estudantis em França

O Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos alertou sobre a violência associada às manifestações estudantis em França, pedindo que as ações se mantenham pacíficas e que as autoridades utilizem força proporcional.

© Muhammed Said Tako/Anadolu via Getty Images


09/10/2026
por

Lusa

O Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou hoje acompanhar com preocupação as manifestações dos alunos do ensino secundário em França, pedindo que se mantenham pacíficas e o uso proporcional da força pelas autoridades.

 

“Pedimos a todos que garantam que elas [as manifestações] se mantenham pacíficas e que não haja um recurso desproporcional à força por parte das forças de segurança. O direito de reunião pacífica deve ser respeitado”, declarou uma porta-voz do Alto-Comissariado, Shabia Mantoo, numa conferência de imprensa em Genebra.

“Acompanhamos com preocupação os incidentes relacionados com as manifestações estudantis e os bloqueios de escolas secundárias em França, alguns dos quais degeneraram em violência. Apelamos a todos para que velem por que estas manifestações se mantenham pacíficas e para que não haja um recurso desproporcionado à força por parte das forças de ordem”, acrescentou a porta-voz.

Desde o início da mobilização, a 17 de setembro, marcada por atos de violência a seis meses das eleições presidenciais, os alunos do ensino secundário francês reivindicam melhores condições de aprendizagem, a renovação das instalações e a eliminação da seleção através da plataforma de orientação Parcoursup.

O movimento deu origem, pontualmente, a atos de violência (edifícios e caixotes do lixo incendiados, mobiliário urbano destruído…), considerados “inqualificáveis” pelo governo, e a resposta policial foi vivamente criticada.

Nas manifestações, as palavras de ordem contra a violência policial ocupam um lugar quase tão importante quanto as reivindicações sobre a falta de meios.

Perante as acusações, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu reagiu veementemente.

“[Falar de] instruções políticas de repressão policial é uma mentira que lança o desejo sobre a polícia», afirmou na quarta-feira na Assembleia Nacional, referindo-se a “acidentes que podem acontecer.

Um adolescente de 15 anos teve a mão arrancada por uma granada em Lens (norte) na segunda-feira. Em Tours (oeste), um estudante do ensino secundário de 16 anos ficou sem a visão de um olho durante um bloqueio, tendo o Ministério Público referido lesões “compatíveis” com um disparo de um lançador de balas de borracha.

As imagens dos protestos, espalhadas por toda a França, continuaram a ser impressionantes na quinta-feira, em particular em Paris, onde várias dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça da Bastilha foram evacuadas pelas forças de segurança no início da noite, com o uso de gás lacrimogéneo.

A coligação intersindical de estudantes e profissionais convocou manifestações e greve para a próxima terça-feira, alguns dias antes do início das férias escolares.

Hoje, o Ministério da Educação francês anunciou que há menos escolas secundárias afetadas pelos protestos estudantis em França do que na quinta-feira, mas 141 continuam encerradas.

Segundo o Governo, os 141 estabelecimentos de ensino afetados representam menos de 4% dos 3.700 liceus franceses e é inferior aos 157 fechados na quinta-feira.

Alguns liceus têm as aulas suspensas por questões de segurança, enquanto outros em Paris e noutras cidades continuam com os portões barricados para impedir a entrada de professores e alunos.

Os chamados ‘bloqueios’ [blocages] são improvisados com caixotes do lixo, bicicletas de aluguer, caixas de papelão e outros objetos, como peças de mobiliário abandonadas ou grades de ferro.

Os protestos estenderam-se a algumas universidades, mas o corpo de intervenção CRS acabou por agir hoje de manhã em frente à Universidade de Assas, na capital francesa, para remover a barricada por alegado “risco de incêndio” na via pública.

Após o dia de manifestações estudantis de quinta-feira, nas quais participaram 71.500 pessoas em França, das quais 24.500 em Paris, segundo o Ministério do Interior, organizações sindicais de estudantes e estudantes convocaram novos protestos e greves para terça-feira, dia 13 de outubro.

Protestos estudantis em França alastram para universidades

A mobilização dos estudantes do ensino secundário em França está a alastrar para as universidades, com várias instituições barricadas em Paris, incluindo a Sorbonne. Manifestações estão previstas para este sábado, convocadas pelo movimento dos ‘coletes amarelos’.

Lusa | 18:59 – 07/10/2026

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