A ONG Liga para os Direitos Humanos pediu à ONU o envio de observadores para acompanhar a atuação policial nas manifestações de sábado em França, alegando reações
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22/10/2026
por
Lusa
A organização não-governamental (ONG) Liga para os Direitos Humanos (LDH) pediu hoje às Nações Unidas o envio de observadores para supervisionar a resposta policial às grandes manifestações convocadas para sábado em França.
A organização denunciou a reação “caótica e inconsistente” das forças e órgãos de segurança do Estado no último fim de semana e a intenção do governo francês de endurecer futuros destacamentos.
“Os únicos anúncios do governo referem-se a uma escalada no emprego de meios de repressão não treinados para manter a ordem”, alertou a LDH.
Por esta razão, a ONG “remeteu o assunto ao Comité das Nações Unidas para os Direitos da Criança e apela ao Alto Comissariado para os Direitos Humanos para que realize uma missão de observação das manifestações que irão ocorrer para que os manifestantes possam expressar-se pacificamente”.
A LDH pediu ainda ao governo que forneça respostas políticas “cujo objetivo seja também a desescalada” porque, “embora o estado da democracia seja uma questão de debate público, o governo tem a responsabilidade primordial de restaurar o direito ao protesto pacífico”.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, já tinha manifestado a sua preocupação com os incidentes relacionados com protestos de estudantes do ensino secundário em França, em particular depois de um estudante do ensino secundário ter perdido a mão devido a uma granada lançada pelas forças policiais em Lens.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai receber na sexta-feira representantes de três organizações estudantis para discutir, pessoalmente, o clima de enorme tensão social desencadeado pelas mobilizações dos alunos do ensino secundário, um movimento que ganhou força com a adesão de outros grupos de protesto, como os ‘coletes amarelos’.
O Palácio do Eliseu indicou que o chefe de Estado vai receber “alunos do ensino secundário e representantes de organizações estudantis” para “ouvir as reivindicações e preocupações dos representantes dos alunos do ensino secundário”.
Os sindicatos de estudantes pedem uma reforma abrangente do ensino secundário, abordando desde a sobrelotação nas salas de aula até, principalmente, à reformulação do processo de acesso ao ensino superior.
O sistema tem sido muito criticado devido ao ‘gargalo’ de pedidos de admissão que criou, para além da dificuldade enfrentada pelos docentes para analisar todos os pedidos.
O encontro entre Macron e os estudantes terá lugar na véspera de uma nova ronda de mobilizações em massa, marcada para sábado.
O Palácio do Eliseu procura controlar estes acontecimentos tanto quanto possível e Macron anunciou mesmo a proibição de todas as manifestações organizadas por grupos não sindicais.
Além disso, o Ministério do Interior decidiu prolongar, até às 06:00 de segunda-feira (hora local), as restrições de circulação que já estavam em vigor em zonas emblemáticas de Paris.
Os partidos franceses de esquerda e de direita manifestaram também a sua frustração após um encontro infrutífero realizado hoje com o primeiro-ministro de França, Sébastien Lecornu.
Partidos como La France Insoumise (LFI, França Insubmissa) referiram que o encontro não resultou em qualquer tipo de avanço para tentar acalmar a situação.

