China defende os seus carros elétricos e quer abertura comercial da UE

China defende os seus carros elétricos e quer abertura comercial da UE

A China sublinha a competitividade dos carros elétricos lá fabricados e pede à União Europeia “abertura e cooperação” comercial – numa altura em que estão quase a fazer dois anos da introdução de tarifas adicionais.

© Costfoto/NurPhoto via Getty Images


18/09/2026
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Notícias ao Minuto, Lusa

A China apela à União Europeia que mantenha “abertura e cooperação” comercial no contexto dos carros elétricos, defendendo que os seus produtos são competitivos para os utilizadores ao nível mundial.

 

A “avalanche” de fabricantes chineses, que propõe tecnologia e preços relativamente acessíveis, está a ter um forte impacto na saúde dos construtores automóveis europeus. Tanto que, em 2024, foram introduzidas tarifas adicionais para os carros elétricos provenientes da China – perante a ameaça concorrencial por receberem subsídios estatais. Há já quem peça uma medida semelhante para híbridos.

China assegura que respeita regras internacionais

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim respeita as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e proporciona às empresas de todos os países um ambiente de negócios “justo, equitativo e não discriminatório”.

“A essência das relações económicas e comerciais entre a China e a UE é o benefício mútuo, e não uma competição de ‘tudo ou nada’ em que um ganha e outro perde”, afirmou.

Guo acrescentou que a resolução das divergências comerciais através do diálogo e de consultas em pé de igualdade corresponde aos interesses comuns das duas partes.

“Vamos acompanhar de perto as ações do lado europeu e adotar as medidas necessárias para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”, advertiu.

Alemanha quer tarifas sobre os híbridos chineses

As declarações surgem depois de o ministro alemão das Finanças, Lars Klingbeil, ter instado, na quinta-feira, a UE a alargar aos veículos híbridos fabricados na China as tarifas já aplicadas aos automóveis elétricos chineses e a endurecer as regras relativas a componentes produzidos localmente para proteger os fabricantes europeus.

Klingbeil defendeu uma resposta a “práticas comerciais desleais” e um “tratamento mais firme dos Estados que ameaçam a nossa indústria”, embora tenha afirmado não ser “um detrator da China”.

O ministro alemão disse pretender que o comércio decorra de forma “livre e justa”, mas salientou que todos devem “jogar segundo as mesmas regras”.

Refira-se que, nos últimos anos, para além dos modelos 100 por cento elétricos começaram a chegar várias propostas híbridas da China, também habitualmente mais atrativas do ponto de vista do preço.

Relações económicas “insustentáveis”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou na quarta-feira, no discurso sobre o Estado da União, as principais linhas de ação de Bruxelas para o novo ciclo político.

Von der Leyen afirmou que a UE utilizará os instrumentos à sua disposição para reequilibrar as relações económicas com a China e anunciou a criação de uma nova Corporação de Matérias-Primas Críticas.

A estrutura deverá ajudar o bloco comunitário a adquirir e armazenar matérias-primas necessárias à produção de veículos elétricos, semicondutores e equipamento de defesa, entre outros produtos.

Bruxelas tem insistido nos últimos meses que as relações económicas com a China são “insustentáveis”, apontando para um défice comercial anual de cerca de 360 mil milhões de euros e para a pressão exercida por setores industriais chineses como veículos elétricos, baterias, painéis solares e produtos químicos.

Europa quer conter entrada de híbridos chineses e dá proposta a Pequim

A União Europeia quer conter a entrada de automóveis híbridos chineses no mercado. A proposta de Bruxelas a Pequim passa por uma limitação voluntária das exportações deste tipo de viaturas.

Lusa | 09:42 – 17/09/2026

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