China vai acompanhar impacto da IA no mercado de trabalho

China vai acompanhar impacto da IA no mercado de trabalho

A China anunciou que irá acompanhar o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho nos próximos cinco anos, numa resposta aos receios quanto à possível destruição de empregos decorrente do ‘boom’ desta tecnologia a nível nacional.

© Reuters


18/06/2026
por

Lusa

A medida é uma das mais destacadas nas diretrizes publicadas esta quarta-fgeira pelo Conselho de Estado (o Executivo chinês), que deverão definir a política nacional de emprego no âmbito do novo plano quinquenal (2026-2030).

 

O documento apela à realização de “uma investigação aprofundada para enfrentar de forma proativa o impacto sobre o emprego” da IA, bem como de outros fatores que marcam a conjuntura atual, como o envelhecimento da população ou o que Pequim denomina “mudanças no ambiente externo”, uma forma velada de se referir às tensões geopolíticas, especialmente com os Estados Unidos.

As autoridades chinesas pretendem “melhorar as capacidades de acompanhamento e alerta sobre riscos relacionados com o emprego”, pelo que procuram estabelecer um sistema de alerta precoce para regiões, indústrias, empresas, grupos populacionais ou períodos considerados “chave”.

Neste contexto, o Governo anunciou a criação de um “mecanismo de acompanhamento e avaliação do impacto da IA no emprego”, que deverá desenvolver um sistema de inquéritos para analisar a influência da tecnologia no mercado de trabalho.

O objetivo de Pequim não é apenas avaliar a possível perda de postos de trabalho, mas também a criação de novos empregos graças à IA, bem como as mudanças nos perfis procurados pelas empresas decorrentes da explosão da tecnologia ou da penetração desse tipo de aplicações no ambiente de trabalho.

A taxa oficial de desemprego nas zonas urbanas situou-se em 5,1% no final de maio, dentro do limite máximo de 5,5% estabelecido para este ano.

Para as autoridades, trata-se de um indicador fundamental, uma vez que um aumento considerável do desemprego numa força de trabalho estimada em mais de 767 milhões de pessoas pode tornar-se um fator de desestabilização social e minar a base de apoio ao Partido Comunista Chinês (PCC), assente, em grande parte, nos sucessos económicos das últimas décadas.

Embora, por vezes, as estatísticas oficiais chinesas tenham sido acusadas de ser pouco fiáveis, as autoridades anunciaram que irão utilizar métricas alternativas, como os pagamentos móveis ou o consumo industrial de eletricidade, para analisar a evolução do mercado de trabalho através de “big data”.

O plano refere também a utilização da IA para promover o emprego através da “exploração de novas formas de colaboração entre humanos e máquinas” ou da utilização desse tipo de aplicações em políticas e serviços laborais: “Iremos utilizar ativamente os benefícios do desenvolvimento da IA para garantir o emprego e melhorar o sustento das pessoas”, refere o documento.

O apoio ao desenvolvimento nacional da IA, liderado por empresas como a DeepSeek, ByteDance, Alibaba ou Tencent, é um dos pontos mais destacados do referido plano quinquenal, que foi aprovado no passado mês de março e que coloca ênfase na autossuficiência tecnológica num contexto de concorrência com os Estados Unidos.

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