O roubo de joias nos bastidores do “The Voice” é um dos temas da semana. Perante o espanto que a notícia causou, o Fama ao Minuto conversou com o stylist Mário de Carvalho para tentar perceber como funciona o “empréstimo” de joias de luxo no mundo da moda em Portugal.
© Reprodução Instagram – Mário de Carvalho
31/07/2026
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O roubo de joias no valor de 346 mil euros nos bastidores do “The Voice Portugal” foi um dos temas da semana. Depois da gala do dia 4 de janeiro, desapareceram várias joias usadas por Maria Petronilho, apresentadora digital do formato.
O caso chegou às autoridades e foi aberto um inquérito que corre no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP) do Ministério Público (MP).
As joias haviam sido emprestadas pela designer Maria Baptista, criadora da marca Fiorire Jewellery, estando à responsabilidade da stylist e produtora de moda Raquel Guerreiro e da sua assistente, Maria Nobre.
Perante o espanto que a notícia causou e os contornos da situação, o Fama ao Minuto conversou com Mário de Carvalho, designer e stylist para tentar perceber como funciona o “empréstimo” de joias de luxo no mundo da moda em Portugal.
Segundo o designer, uma produção de stylist na qual sejam usadas joias de luxo funciona “da mesma maneira que se estivermos a falar de roupa”. “Solicitamos as joias às marcas e as marcas cedem-nos as joias. Se for uma pessoa de muita visibilidade, para quem a marca tem muito interesse, sim, as joias são cedidas facilmente.”
O processo parece simples e é, de facto, mas e se correr mal? Mário de Carvalho contou-nos que “em 10 anos de carreira”, só “uma vez” trabalhou diretamente com uma equipas de recolha de valores.
Na época estaria a usar numa produção joias de 172 mil euros, tendo ficado acordado que teria obrigatoriamente de entregar as peças em questão a uma hora previamente combinada com a equipa de segurança – “ao estilo Cinderela”.
“De resto, eu já andei com joias de 40 mil euros, de 50 mil euros, no carro, em sacos descaracterizados, sim. Mas já andei e não tinha qualquer tipo de associação a algum tipo de equipa de recolha de valores.”
Mário de Carvalho deu-nos conta de que qualquer stylist “ao sair de um showroom com joias, ou com qualquer outro tipo de peça, preenche uma guia de transporte”. Este documento declara “quais as peças que o stylist levantou” e “responsabiliza-o em relação às mesmas no caso de desaparecimento ou de não serem entregues a tempo e horas”.
Quanto ao facto de as joias serem transportadas em sacos, como aparentemente foi o caso das peças roubadas nos bastidores do “The Voice”, o stylist explicou que se trata de algo normal e que até faz parte do processo.
“Isso [transportas joias em sacos ou caixas] faz-me todo o sentido. Até porque, muitas vezes, as marcas pedem para que sejam transportadas em sacos completamente descaracterizados, para que na rua não sejam identificadas“, realçou.
“Imaginemos uma Bulgari, uma Cartier, ou até mesmo uma ateliê de joias mais artesanal, que toda a gente sabe que trabalha com joias, não quer que andem em sacos identificados com o nome das marcas na rua. Ainda que Cartier e Bulgari funcionem de forma diferente. Funcionam com empresa de transporte de valores”, acrescentou ainda.
Mário de Carvalho nunca viveu na pele o desaparecimento de joias que estivesse a usar numa produção de styling, mas já teve à sua responsabilidade “joias de valores muito elevados”.
“Combinações de joias, de anéis, colares e pulseiras, a bater nos 70 mil euros. E andavam comigo no carro.“
No que respeita a responsabilidades em caso de desaparecimento de joias cedidas por marcas, “o stylist é o primeiro responsabilizado pela situação. Em caso de perda, é o nome do stylist que está na guia de transporte. Portanto, sim, o stylist é o primeiro responsabilizado.”
Qual a razão para que não existam medidas de segurança?
Mário de Carvalho não tem dúvidas de que deveriam existir medidas de segurança mais apertadas quando falamos de styling com valores de milhares de euros, porém o motivo para que isso não aconteça é simples: “retenção de custos”.
“Na verdade, isto funciona como uma retenção de custos para toda a gente. Porque acionar uma empresa de transporte de valores é uma coisa que é cara. Portanto, ninguém quer. Querem, efetivamente, que seja da forma mais fácil e mais simples para todos os lados.”
Quanto ao roubo das joias nos bastidores do “The Voice Portugal”, Mário de Carvalho não tem dúvidas de que o caso “vai abrir uma brecha para que mais vezes se trabalhe com empresas de transporte de valores”.
“Mas também temos que perceber que se vamos trabalhar com mais empresas de transporte de valores, e sendo isso um serviço extra e igualmente caro, nós, stylists, vamos deixar de ter acesso fácil, ou tão fácil, às joias como tínhamos anteriormente”, alertou.
“Isto veio abrir aqui uma caixa de Pandora que, na verdade, estava para ser aberta”, terminou Mário de Carvalho, designer e stylist de moda.

