Companhias aéreas africanas alertam para forte impacto devido à guerra

Companhias aéreas africanas alertam para forte impacto devido à guerra

A Associação Africana de Companhias Aéreas (AFRAA) alertou hoje que a guerra no Médio Oriente está a obrigar as transportadoras a reverem as rotas e levanta novos problemas para a estabilidade da rede de aviação no continente.

© Reuters


12/06/2026
por

Lusa

“O impacto é grave e um grande choque para os nossos membros”, disse o secretário-geral da AFRAA, Abderahmane Berthe, à agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), apontando que um dos principais problemas é o aumento dos preços e a redução da disponibilidade dos combustíveis.

 

“O combustível representa entre 30% a 40% dos custos operacionais das companhias aéreas, por isso qualquer aumento afeta diretamente os seus balanços”, acrescentou o responsável.

As transportadoras africanas já pagavam cerca de 17% a mais pelo combustível de aviação do que a média global antes da guerra no Irão, de acordo com a AFRAA, pelo que as novas pressões sobre os preços estão a agravar as margens já reduzidas em todo o setor.

Berthe afirmou que algumas transportadoras introduziram sobretaxas de combustível, mas a maioria não consegue repercutir o aumento total nos passageiros, o que as obriga a absorver as perdas.

“Não podem repercutir estes custos nos passageiros, pois isso afetará a procura”, explicou.

Algumas companhias aéreas já começaram a ajustar as suas redes, reduzindo frequências e revendo rotas para gerir os custos crescentes e a incerteza em relação ao combustível, afirmou.

A crise renovou os apelos para que África reforce a capacidade de refinação interna e reduza a dependência do combustível de aviação importado.

“Precisamos de soluções africanas; muitos países africanos produzem petróleo, mas continuamos a depender de fornecedores não africanos para o combustível de aviação refinado”, lamentou Berthe.

O alerta surgiu na mesma altura em que a União Africana apelou às partes para agirem com a “máxima moderação” e voltem a utilizar “o diálogo e a diplomacia” para resolverem o diferendo.

“Estes acontecimentos podem desestabilizar ainda mais uma situação já de si frágil e representam uma ameaça para a paz e a segurança internacionais”, disse a Comissão da UA num comunicado divulgado na quinta-feira.

A organização pan-africana reiterou que “a instabilidade persistente na região do Golfo tem repercussões importantes para África, incluindo perturbações nos mercados energéticos mundiais, o aumento dos custos de transporte e dos produtos de base e efeitos negativos sobre o crescimento económico, o comércio e o desenvolvimento de todo o continente”.

Os ataques mútuos desta semana representam a pior escalada militar entre os dois países desde o início do cessar-fogo, a 08 de abril passado.

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.