As principais companhias aéreas europeias reconheceram os riscos da atividade e defenderam equilíbrio na avaliação médica e profissional dos pilotos, mas rejeitaram lista negra após caso da Flydubai.
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08/10/2026
por
Lusa
As principais companhias aéreas europeias reconheceram hoje os riscos associados à atividade e defenderam um equilíbrio na avaliação médica e profissional dos pilotos, mas rejeitaram a criação de uma lista negra após o caso envolvendo a companhia Flydubai.
“Penso que temos de reconhecer o facto de que não existe segurança absoluta nesta indústria. Embora existam pessoas – pilotos em todo o mundo – que todos os dias garantem a segurança dos voos e salvam vidas, mas também existem riscos”, afirmou o presidente executivo do grupo Lufthansa, Carsten Spohr, numa conferência de imprensa em Bruxelas das cinco maiores companhias aéreas europeias, integradas na associação Airlines for Europe (A4E).
Carsten Spohr disse falar em nome de um grupo de companhias aéreas “que foi afetado por um caso que não é semelhante, mas que tem alguns paralelismos e que ocorreu há 11 anos”, numa alusão ao acidente da Germanwings, subsidiária da Lufthansa, quando em 2015 um copiloto despenhou deliberadamente um avião nos Alpes franceses, causando a morte das 150 pessoas a bordo.
Desde aí, “começaram a ser realizados aos pilotos exames médicos que iam além das questões físicas, como a visão e a audição, passando também a abranger questões relacionadas com a saúde mental”, assinalou Carsten Spohr.
Ainda assim, apontou que “esta é uma área muito difícil para os reguladores, que têm de encontrar o equilíbrio certo”.
Quanto à possibilidade de serem adotadas medidas específicas para os pilotos, incluindo a criação de uma lista negra, o presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, manifestou-se contra uma solução generalizada.
“Ficaria muito apreensivo com a criação de algum tipo de lista negra geral de pilotos. Dependeria muito do motivo, mas penso que deveria existir algum tipo de controlo”, disse.
De acordo com Michael O’Leary, antes de uma companhia aérea contratar um piloto, faz “verificações de referências e do seu histórico profissional, entre outras verificações”, que resultam numa “análise bastante aprofundada”.
“Nenhum sistema é perfeito, mas eu estaria, pessoalmente, muito relutante em ter um sistema que determinasse que um piloto, um membro da tripulação de cabine ou, quem sabe, o presidente executivo de uma companhia aérea, constasse de uma lista negra e, por isso, não pudesse ser contratado. Penso que isso seria ir longe demais e acho que estaríamos a ultrapassar os limites”, adiantou.
As declarações foram feitas numa conferência de imprensa em Bruxelas sobre a competitividade das companhias aéreas europeias, numa altura em que o setor enfrenta também pressão sobre os custos, o combustível e a capacidade aeroportuária.
No final de setembro, o voo FZ1073 da Flydubai, que fazia a ligação entre o Dubai e Telavive com mais de 170 pessoas a bordo, sofreu um incidente no cockpit quando o copiloto terá atacado o comandante e tentado assumir o controlo da aeronave.
O caso levantou questões sobre os mecanismos de seleção e acompanhamento de pilotos, depois de terem surgido informações segundo as quais o copiloto já teria sido impedido de voar em Omã devido a preocupações relacionadas com extremismo.
As circunstâncias em que posteriormente foi contratado pela Flydubai estão a ser investigadas.

