O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que a CPLP está a trabalhar de forma discreta para garantir a normalidade na Guiné-Bissau, ressalvando que as mediações não se fazem no espaço público.
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09/10/2026
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O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que a CPLP está a trabalhar de “forma discreta e serena” para garantir que a situação na Guiné-Bissau regresse à normalidade, ressalvando que as mediações não se fazem no espaço público.
“Nós estamos todos a trabalhar de forma discreta e serena no sentido de garantir o mais depressa possível o regresso da Guiné-Bissau à plenitude de funções [na CPLP] e, obviamente, queremos que isso signifique também um processo de transição que nos leve a uma democracia plena e funcional”, afirmou Paulo Rangel.
O ministro dos Negócios Estrangeiros falava aos jornalistas em Bruxelas, ao lado do homólogo de Cabo Verde, Manuel Amante da Rosa, após ter sido questionado sobre quando é que tenciona receber o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, que se encontra em Lisboa.
Paulo Rangel destacou que houve recentemente mudanças na situação na Guiné-Bissau, referindo-se ao possível adiamento das eleições presidenciais, anunciado esta quinta-feira, e destacou que a CPLP precisa de as “perceber perfeitamente” e ter “capacidade de interlocução”.
“Muitas vezes estas mediações não se podem fazer no espaço público, sob pena de depois não funcionarem”, advertiu.
Questionado se isso significa que tenciona receber o líder do PAIGC brevemente, Rangel respondeu: “Significa exatamente o que eu disse, nem mais nem menos”.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde afirmou que está atento ao que se está a passar na Guiné-Bissau e ao adiamento das eleições presidenciais, “que estavam para ser feitas aparentemente sem observadores”.
“Nós estamos a observar e esperamos que possa haver um diálogo entre as partes e que se encontre uma solução para a Guiné-Bissau, porque a Guiné-Bissau é parte da CPLP e não conseguimos, entre nós, países membros da CPLP, saber que um dos membros não está dentro”, referiu.
Manuel Amante da Rosa destacou assim que o desejo da CPLP e as suas ações têm sido no sentido “de que o diálogo possa voltar à Guiné-Bissau e que a Guiné-Bissau possa de novo fazer parte da CPLP”.
A Guiné-Bissau está suspensa da participação nas atividades da CPLP desde dezembro de 2025, na sequência do golpe militar de 26 de novembro desse ano, que interrompeu o processo eleitoral. A decisão da CPLP determina que a suspensão vigore até à retoma da ordem constitucional.
Estavam previstas para 06 de dezembro deste ano novas eleições, mas foi anunciado esta quinta-feira não estarem reunidas as condições para a votação.
As eleições anteriores, presidenciais e legislativas antecipadas, tinham decorrido em 23 de novembro de 2025, mas o processo foi interrompido pelo golpe militar de 26 de novembro, antes da conclusão do apuramento dos resultados.

