Os bancos da zona euro restringiram mais os critérios de concessão de empréstimos às empresas e ao consumo, devido ao aumento dos riscos e das taxas de juro, segundo o BCE.
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27/10/2026
por
Lusa
Os bancos da zona euro restringiram ainda mais no terceiro trimestre os critérios de concessão de empréstimos às empresas e de créditos ao consumo devido ao aumento dos riscos e das taxas de juro, foi hoje anunciado.
O Banco Central Europeu (BCE) divulgou hoje a pesquisa sobre empréstimos bancários de outubro de 2026, que mostra que 9% dos bancos restringiram no terceiro trimestre os padrões de concessão de crédito às empresas, que são as diretrizes internas ou os critérios de aprovação de empréstimos, contra 7% no segundo trimestre.
Os bancos mantiveram neste período os critérios de concessão de empréstimos às famílias para a aquisição de habitação.
Além disto, 14% dos bancos disseram que restringiram os critérios de concessão de crédito ao consumo e outros empréstimos às famílias (contra 12% no segundo trimestre).
O BCE realizou a pesquisa com 159 bancos da zona euro entre 21 de setembro e 6 de outubro de 2026.
Alguns bancos também apontaram as pressões derivadas da incerteza geopolítica e da evolução do setor energético como motivo para restringir os critérios para conceder créditos.
Os critérios de concessão de crédito às empresas foram restringidos por 27% dos bancos em França e 6% das instituições bancárias na Alemanha, enquanto 11% dos bancos em Itália os flexibilizaram.
Na Alemanha, 4% dos bancos flexibilizaram os critérios de concessão de empréstimos para a habitação, enquanto estes foram mantidos em Espanha, França e Itália.
Além disso, os bancos na Alemanha mantiveram os critérios de concessão de crédito ao consumo, enquanto 38% dos bancos em França, 27% em Itália e 8% em Espanha os restringiram.
O BCE fez uma pergunta específica sobre os novos empréstimos para financiar a implementação ou o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
A maioria dos bancos ainda não incorporou critérios específicos para avaliar os empréstimos relacionados com a IA.
Um número reduzido de bancos disse que tem cada vez mais em conta a IA e os riscos associados e que submetem a um escrutínio mais rigoroso as empresas do setor tecnológico.
No quarto trimestre, os bancos preveem restringir ainda mais os critérios de concessão de crédito às empresas, dos empréstimos destinados à habitação e ao consumo para os níveis mais elevados desde o terceiro trimestre de 2023.
Além disso, os bancos rejeitaram mais pedidos de empréstimos em todos os grupos, mas principalmente no do crédito ao consumo.
No terceiro trimestre, a procura de crédito das empresas e das famílias caiu, tanto para comprar uma casa como para consumo, devido ao aumento das taxas de juro.
Da mesma forma, as empresas investem menos em ativos fixos e recorrem a fontes de financiamento alternativas.
A incerteza geopolítica e energética também trava a procura de empréstimos corporativos.
Vários bancos disseram que preveem um aumento gradual, mas sustentado, da procura de crédito destinada a financiar infraestruturas digitais, em concreto centros de dados.
Os bancos assinalaram que os seus empréstimos vinculados à IA se direcionarão mais provavelmente a fornecedores de infraestruturas do que para desenvolvimentos de ‘software’ ou a empresas que adotem aquela tecnologia, acrescenta o BCE.

