Daniel Chapo admite persistência de ataques em Cabo Delgado

Daniel Chapo admite persistência de ataques em Cabo Delgado

O Presidente moçambicano admitiu hoje, na Etiópia, que os terroristas continuam a realizar ataques esporádicos, afirmando que o maior desafio é a assistência às populações deslocadas.

© Getty Images


24/10/2026
por

Lusa

O Presidente moçambicano admitiu hoje, na Etiópia, que os terroristas continuam a realizar ataques esporádicos, afirmando que o maior desafio continua a ser a assistência às populações deslocadas, e pediu aposta no multilateralismo para travar este mal.

 

“Quando começou o terrorismo, tinha ocupado algumas vilas do distrito da zona norte de Cabo Delgado. Mas por causa dessas soluções, hoje em dia as vilas estão livres, mas os terroristas continuam a fazer ataques esporádicos e isto provoca deslocação da população”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo.

O Presidente da República falava no 12.º Fórum de Alto Nível de Tana sobre Segurança em África, que decorre de 23 a 25 de outubro, em Bahir Dar, República Federal Democrática da Etiópia, sob o lema “Caminhos para a Paz em África: Soberania Económica e Transformação Geopolítica”, reunindo Chefes de Estado e de Governo, decisores políticos, académicos e parceiros de desenvolvimento.

“O maior desafio que nós temos no momento é assistir – assistência humanitária às populações. A situação está relativamente melhor do que estava antes. Continuamos atentos às investidas dos terroristas, as nossas forças armadas, junto às forças amigas do Ruanda, da Tanzânia e a força local, continuamos a combater o terrorismo”, disse Chapo.

Desde outubro de 2017, Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada associada a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico, conflito que já provocou cerca de 6.600 mortos e 1,2 milhões de deslocados, segundo dados de organizações internacionais.

Ao intervir no evento, Chapo disse que Moçambique contou desde o princípio com o apoio da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM) e também das forças do Ruanda, que agora continuam num modelo de cooperação bilateral, no combate ao extremismo violento. Frisou ainda que as forças do Tanzânia continuam a guarnecer a fronteira com Moçambique para impedir a circulação dos terroristas, no contexto de acordos bilaterais.

Neste sentido, defendeu que a segurança e a paz são essenciais para o desenvolvimento dos países africanos de forma sustentável e agradeceu os esforços de todos os países que continuam a apoiar Moçambique na luta contra o extremismo.

“A nossa experiência, um dos segredos do sucesso para o combate ao terrorismo em África é a união entre os países africanos”, disse Chapo.

“Uma união regional da SADC, mas também podemos encontrar problemas africanos, soluções africanas, neste caso uma solução bilateral entre Moçambique e Ruanda e depois temos também uma união entre dois países, neste caso Moçambique e Tanzânia, que as forças tanzanianas ao longo da fronteira de Moçambique continuam a fazer um bom trabalho para o bloqueio da entrada de terroristas em Moçambique”, acrescentou.

Defendeu o multilateralismo sobretudo na União Africana, afirmando que é altura se encontrar uma solução africana para o terrorismo.

Chapo voltou a pedir que se repense a representatividade no Conselho de Segurança das Nações Unidas, criticando que a África não tenha lá membros, pedindo reformas naquele órgão.

“E esta reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas tem que encontrar espaço para que a África tenha assento e também tenha o direito do veto. Porque enquanto continuarmos a falar de segurança em África, ao nível do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sem um membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (…) vai ser muito difícil resolver a questão da segurança do continente africano”, defendeu.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas continuam a ser afetadas pelo conflito em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem, conforme dados das Nações Unidas.

“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere um relatório das Nações Unidas.

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