“David” democrata enfrentou “Golias” republicano no Texas

Um “David” democrata enfrentou um “Golias” republicano na corrida eleitoral para o Senado norte-americano em Lubbock, onde o candidato democrata comparou os comícios realizados quase simultaneamente.

© Getty Images


28/10/2026
por

Lusa

Um “David” democrata contra um “Golias” republicano enfrentaram-se terça-feira na corrida eleitoral para o Senado norte-americano na cidade texana de Lubbock, onde o candidato democrata invocou a história bíblica para comparar os comícios realizados quase simultaneamente.

 

Se o Presidente republicano, Donald Trump, teve um centro de convenções rodeado de aparato policial, o democrata James Talarico optou por um salão de festas mais modesto, mas para os eleitores, a experiência de terça-feira foi semelhante: longas horas em fila para entrar, pilhas de “merchandising” e a certeza de que a corrida vai ser renhida.

Com sondagens que o colocam a par do republicano Ken Paxton, Talarico quis apontar que os republicanos receiam perder um dos lugares de senador pelo Texas e por isso tiveram que chamar Trump.

Falando perante mais de 2.500 apoiantes no Fiesta Center, que teve que alargar a lotação para acolher todos os que o vieram apoiar, Talarico assumiu-se como o ‘underdog’ das eleições de meio de mandato no Texas, um termo que sugere que está na posição mais desfavorável, uma vez que o Texas não elege um senador democrata há mais de 40 anos.

Para alguns dos apoiantes de Talarico ouvidos pela Lusa, a corrida no Texas é entre a decência do democrata e a falta de caráter de Ken Paxton.

Talarico “é verdadeiro, autêntico e nunca muda, não mente”, disse Tanya, uma ex-republicana que o compara ao antigo Presidente democrata Barack Obama: “quando falam, comovem-me a alma, e eu só voto em pessoas que me comovem”, admite.

“Paxton é um mentiroso e um idiota. Nunca votaria nele”, garante, segurando um cartaz em que se assume como “Talafreak-o”, um termo pejorativo usado por Trump para ser referir ao candidato democrata texano.

No palco do Fiesta Center, que recebe habitualmente festas como as “quinceañeras” e “Sweet 16” das adolescentes de Lubbock, Talarico acenou com os apoios que Ken Paxton recebeu “do homem mais rico do mundo”, referindo-se ao bilionário Elon Musk, bem como de outros “pastores bilionários”, motivando apupos da audiência num estado do chamado “Bible Belt”, com marcada influência das igrejas evangélicas.

“Façam a coisa certa e aceitem as consequências”, pediu aos eleitores, citando uma frase de Sam Houston, um senador texano do século XIX que desempenhou um papel importante na independência do Texas quando o Estado pertencia ao México.

“Eles podem ter o dinheiro, mas nós temos a maioria. Vamos enfrentar os nossos Golias e sabemos que o poder deles é real, mas o nosso, também”, declarou, aludindo à história do Velho Testamento em que um pastor mata um gigante armado com uma funda, semelhante a uma fisga, com que arremessa uma pedra que atinge o seu adversário na cabeça.

“David tinha fé e uma fisga. Vocês são a minha fisga e estes Golias nem vão perceber o que lhes caiu em cima”, disse, arrancando aplausos entusiasmados da plateia, a quem a máquina da campanha democrata tinha distribuído cartazes com slogans como “ama o teu vizinho”, outra citação da Bíblia.

Num estado fronteiriço em que a imigração ilegal da América Latina é um tema central da campanha, afirmou que “qualquer pessoa pode ser texana, mesmo que tenha chegado ontem”.

Enquanto esperava para entrar no comício, Brad Proctor, um “texano de quinta geração”, dizia à Lusa que o Texas precisa de eleger para o Congresso “pessoas decentes e honestas, não pessoas de mau caráter”.

“O Texas e os Estados Unidos precisam de imigrantes. Toda a minha vida convivi com eles. Paxton só tem ódio e preconceito. Os republicanos só têm medo do que desconhecem e ódio ao que não conseguem compreender”, argumentou, afirmando-se surpreendido com a quantidade de pessoas que faziam fila ao fim da tarde para entrar no Fiesta Center, que se espalhavam por vários quarteirões em volta.

Mary, uma jovem explicadora de Matemática, não se importou de estar mais de três horas à espera sem ter a certeza de conseguir entrar no recinto, tantos eram os que compareceram, e dizia à Lusa que “assim, já foi uma vitória para o Talarico”.

“Agora, percebo porque é que os republicanos tiveram que chamar Trump. É porque, agora, são eles que estão com medo”, considerou.

Nas eleições de 03 de novembro estão em disputa todos os 435 membros da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 lugares do Senado, podendo resultar da votação um reequilíbrio do Congresso norte-americano, onde os republicanos têm maioria em ambas as câmaras.

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