“Depois de 50 anos de algum marasmo”, Portugal pode dar o salto

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado defendeu que Portugal tem uma “oportunidade histórica” no atual cenário geopolítico, geoeconómico e tecnológico, durante uma intervenção na conferência sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027.

© Global Imagens


19/10/2026
por

Lusa

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado defendeu hoje que Portugal tem uma “oportunidade histórica” no atual cenário geopolítico, geoeconómico e tecnológico.

 

Numa intervenção na conferência sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027, organizada pela RFF Advogados em Lisboa, o antigo governante disse que Portugal, “depois de tanta imagem mais negativa e tanto cenário difícil”, tem uma oportunidade porque está mais alinhado do ponto de vista dos “valores que são fundamentais para resolver o quadro de problemas pela frente”.

Esta oportunidade “histórica” surge “depois de 50 anos de algum marasmo” e perda de posicionamento e competitividade, sinalizou, nomeadamente com o ajustamento que foi necessário fazer com a moeda, quando se perdeu competitividade porque houve um deslumbramento com integração na Europa, disse.

No entanto, atualmente o ajustamento “pode fazer-se em condições diferentes”, por razões de “oportunidade geopolítica, geoeconómica e tecnológica”.

“O país tem uma matriz de inserção geopolítica de grande consenso na sociedade portuguesa”, notou, sendo que “todos os governos que passaram pelo Estado nas últimas décadas mantiveram uma visão” da inserção de Portugal no sistema internacional estável.

Portugal tem aquilo a que qualquer Estado em zonas de grande turbulência e conflito atribuem de fundamental: segurança estratégica, argumentou, considerando que o país “está estável na matriz de inserção geopolítica”, nomeadamente na relação com a NATO e a integração europeia, bem como no quadro da lusofonia.

Para Luís Amado, o país que tem uma fronteira estável, tem uma “dimensão arquipelágica que lhe dá profundidade no sistema atlântico” e também “uma certa estabilidade do ponto de vista cultural”.

Assim, afigura-se atrativo quando o valor fundamental se tornou a segurança, pelo que no futuro, na “reconstrução do bloco geopolítico ocidental transatlântico”, a Europa estará em condições de “ser um pólo importante no novo sistema transatlântico e Portugal estará no centro desse bloco”.

Além disso, no ponto de vista tecnológico, existe a possibilidade de Portugal “dar o salto” e se se aproveitar bem este momento pode ser possível “ultrapassar alguns dos ‘handicaps’ [deficiências] que têm marcado a dificuldade de crescimento da economia portuguesa nos últimos anos e, eventualmente, criar condições para reforçar a nossa posição no sistema económico europeu e no sistema económico transatlântico”.

Luís Amado foi ministro da Defesa Nacional e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, foi também secretário de Estado da Administração Interna e secretário de Estado da Cooperação, bem como deputado na Assembleia da República, tendo passado pelos bancos Banif e Cabo-Verdiano de Negócios e pela EDP.

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