Desmantelada rede espanhola que lavou 3 milhões em burlas informáticas

Desmantelada rede espanhola que lavou 3 milhões em burlas informáticas

A polícia espanhola desmantelou uma rede que lavou mais de três milhões de euros através de burlas informáticas e comércio internacional, com nove detenções em várias cidades.

© ShutterStock


28/10/2026
por

Lusa

A polícia espanhola desmantelou uma organização que lavou mais de três milhões de euros através da compra e exportação para África de vinhos espanhóis e maquinaria industrial, realizando burlas informáticas contra pessoas e empresas de vários países, incluindo Portugal.

 

A ação foi uma operação conjunta da Polícia Nacional, do Serviço de Vigilância Aduaneira da Agência Tributária e da Europol, resultando em nove detenções em Santander, Madrid, Alicante e Tenerife.

A investigação teve início em 2025, conduzida pela Unidade de Vigilância Aduaneira na Cantábria, após a análise de um relatório de inteligência do Serviço Executivo da Comissão de Prevenção de Branqueamento de Capitais e Infrações Monetárias (Sepblac).

O documento alertava para operações suspeitas realizadas através de contas bancárias ligadas a empresas, indicando ainda que o principal investigado residia naquela comunidade autónoma.

Durante este período, os agentes da Vigilância Aduaneira da Cantábria realizaram o rastreio fiscal e bancário das empresas envolvidas, sob a supervisão de um juiz de Santander.

Dada a dimensão transnacional do esquema, foi constituída uma equipa conjunta com a Unidade Central de Cibercrime da Polícia Nacional, tendo sido desencadeados os canais de cooperação internacional com a Europol.

A investigação revelou um esquema que envolvia duas atividades criminosas interligadas, burlas informáticas e branqueamento de capitais, informou a Direção-Geral da Polícia.

Por um lado, a organização obtinha fundos provenientes de fraudes digitais cometidas na Europa, utilizando diversos métodos, como a interceção de e-mails corporativos para desviar pagamentos, a falsificação de identidades comerciais e os chamados “golpes do amor”.

Entre as vítimas, encontram-se empresas e particulares da Alemanha, Finlândia, Portugal, República Checa, Roménia, Suécia, Taiwan e Peru, entre outros países.

Os membros da rede depositavam os valores obtidos através de fraude em contas de empresas de fachada ou instrumentais, utilizando pessoas que atuavam como “mulas financeiras”, ou seja, facilitadores que cediam contas bancárias para o branqueamento de capitais, sediadas sobretudo na Cantábria e em Madrid.

O dinheiro era imediatamente fracionado e diversificado através de transferências circulares, remessas de divisas para o estrangeiro e levantamentos em espécie de grande volume em caixas automáticas.

A organização realizava o branqueamento de capitais no âmbito do comércio internacional, recorrendo a empresas exportadoras que aplicavam os recursos ilícitos na compra de mercadorias, principalmente vinhos adquiridos a adegas espanholas, bem como maquinaria e veículos industriais, que eram posteriormente exportadas para países africanos.

Perante o risco de destruição de prova, foi desencadeada uma primeira fase da operação em Torrelavega (Cantábria), resultando na detenção de duas pessoas e na realização de buscas e apreensões, nas quais foi recolhida abundante documentação, equipamento informático e dinheiro em numerário.

Um dos detidos nesta primeira fase é apontado como o responsável pelo recrutamento das “mulas financeiras”.

Posteriormente, nos dias 20 e 21, a Vigilância Aduaneira da Cantábria coordenou a fase final da operação, da qual resultaram mais sete detenções em Madrid, Alicante e Tenerife.

Foram realizadas cinco buscas em residências e na sede de uma empresa em Madrid, nas localidades madrilenas de Fuenlabrada, Las Rozas e Majadahonda, bem como em Adeje, em Tenerife, nas quais foi apreendida abundante documentação comercial, faturas, registos contabilísticos, equipamento informático, telemóveis, joias de elevado valor e dinheiro em numerário.

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