Do veículo apreendido aos carros da mulher: Pressão aumenta sobre MAI

Do veículo apreendido aos carros da mulher: Pressão aumenta sobre MAI

Depois de ter vindo a público que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, estaria a fazer uso de um carro apreendido pela PJ em regime de comodato, agora surge também a história de que não terá declarado os dois carros de que é cotitular com a mulher à Entidade para a Transparência (EpT). As mais recentes polémicas, numa longa lista, já motivaram críticas no panorama político.

© Horacio Villalobos#Corbis/Getty Images


21/08/2026
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Notícias ao Minuto

No seguimento de uma longa lista de polémicas, mais recentemente, esta semana, veio a público que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, estaria a fazer uso de um carro desportivo apreendido pela Polícia Judiciária, que será o mesmo que já usava enquanto diretor-nacional da Polícia Judiciária (PJ). Apesar de dispor, no ministério, de várias viaturas oficiais topo de gama, de dois motoristas e de quatro elementos de segurança.

 

Em resposta à investigação do Nascer do Sol e TVI/CNN Portugal, o ministro explicou que o Volkswagen Golf GTD trata-se de uma viatura de serviço em regime de comodato, devidamente autorizado em termos legais.

Mas não ficou por aí e ainda na temática dos veículos, na noite desta sexta-feira, o jornal Observador revelou que Luís Neves é cotitular de dois carros da família, por estarem em nome da mulher (com quem está casado em comunhão de adquiridos), e que não os declarou à Entidade para a Transparência (EpT), apesar de estar obrigado a fazê-lo. O jornal, que consultou as declarações de rendimentos do governante, revela que nenhum dos dois veículos – um Ford Focus e um Nissan Qashqai – consta dos registos.

Recentemente, na sequência de esclarecimentos relativamente à polémica do carro apreendido, Luís Neves justificava que: “Não existiu qualquer omissão ou intenção de ocultar informação, tanto mais que o valor reduzido destes bens dispensa a sua inclusão nas declarações de rendimentos. Ambas as viaturas têm 15 anos, sendo que uma delas [o Nissan Qashqai] se encontrava na posse do sogro, até ao seu falecimento recente”.

No entanto, o mesmo jornal recorda que, ao contrário do que alegou acima, os automóveis de baixo valor também têm de ser declarados, ressalvando que a lei nº 52/2019 obriga os políticos e titulares de altos cargos públicos a declarar todos os ativos patrimoniais, nomeadamente “veículos automóveis”, dos quais “sejam titulares ou cotitulares”.

Recorde-se que a polémica com os carros da família de Luís Neves nasceu na conferência de imprensa em que procurou esclarecer as outras várias polémicas em que tem vindo a ver-se envolvido, nomeadamente em relação ao seu património, no final do mês de junho.

“Podemos estar perante um crime de peculato de uso”

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro comentou, esta tarde, que o primeiro-ministro “está a ter surpresas todos os dias” com o ministro da Administração Interna e alertou, em reação à questão das viaturas: “É preciso ver em que termos é que foram utilizadas, porque se não houver uma boa explicação podemos estar perante um crime de peculato de uso”.

Nova polémica? “É ao primeiro-ministro a quem peço responsabilidades”

O secretário-geral do PS comentou, esta sexta-feira, a nova polémica que envolve o ministro da Administração Interna, desta feita sobre o uso de um carro apreendido pela PJ. Independentemente das polémicas com os ministros, para José Luís Carneiro, é ao primeiro-ministro a quem tem de se pedir “responsabilidades”.

Notícias ao Minuto com Lusa | 16:32 – 21/08/2026

“Sequência absolutamente bizarra” de casos e exoneração?

Por seu lado, o presidente do Chega, André Ventura, condenou a “sequência absolutamente bizarra” dos casos que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerando que a situação “descredibiliza e mata completamente a sustentabilidade do Governo”.

“O nível de sórdido está na incapacidade de se perceber que este ministro já não existe e estamos numa fase em que precisamos de um ministro da Administração Interna que exista, estamos numa fase de incêndios, estamos numa fase de risco de segurança, precisamos de um ministro da Administração Interna e não o temos”, disse.

Casos sobre o MAI são “sequência absolutamente bizarra”, diz Ventura

O presidente do Chega, André Ventura, condenou hoje a “sequência absolutamente bizarra” de casos sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerando que esta situação “descredibiliza e mata completamente a sustentabilidade do Governo”.

Lusa | 19:50 – 21/08/2026

Em comunicado, horas depois, o partido anunciou mesmo que vai propor na Assembleia da República uma resolução para a exoneração do governante, para “salvaguardar o prestígio e o regular funcionamento das instituições”.

No documento, o partido sustenta que a continuidade do governante é insustentável, perante indícios de irregularidades no cumprimento de obrigações legais, na gestão de dinheiros públicos e nas ligações a uma empresa privada fornecedora do Estado.

Na exposição de motivos da iniciativa, que será debatida na Assembleia da República, o Chega enumera que Luís Neves esteve vários anos sem entregar as declarações de rendimentos e património no Tribunal Constitucional (TC) e contesta os 17 ajustes diretos entre a PJ e a empresa Construbarcelos, num valor de cerca de 2,3 milhões de euros, recorrendo em grande parte ao mecanismo de “contratação excluída”.

Chega pede exoneração do ministro da Administração Interna

O Chega entregou uma iniciativa parlamentar na Assembleia da República a recomendar ao primeiro-ministro a exoneração do ministro da Administração Interna, Luís Neves, para “salvaguardar o prestígio e o regular funcionamento das instituições”.

Lusa | 22:07 – 21/08/2026

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