O festival de cinema Doclisboa começa hoje com o filme “Guerrilha no Asfalto”, de Edgar Pêra, numa edição que inclui a presença do jornalista e advogado palestiniano Basel Adra, co-realizador de “No Other Land”.
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15/10/2026
por
Lusa
O festival de cinema Doclisboa começa hoje com o filme “Guerrilha no Asfalto”, de Edgar Pêra, numa edição que contará, entre os convidados, com o jornalista e advogado palestiniano Basel Adra, co-realizador de “No Other Land”.
Quase a cumprir 25 edições, o Doclisboa vai mostrar perto de 200 filmes de 51 países, entre os quais 32 filmes portugueses, “atravessando geografias, gerações e diferentes formas de fazer e pensar o cinema”.
“O Doclisboa é um festival em marcha, uma história a escrever-se” e que “deixou de entender o documentário como um género ou um território cerrado”, sustenta a direção na página oficial.
Abre com “Guerrilha no Asfalto”, de Edgar Pêra, que parte do livro homónimo de Manuel Ricardo Sousa sobre as FP-25 e mistura as memórias do realizador sobre os anos 1980.
A programação inclui o cinema de nomes como Denis Cotê, Avi Mograbi, Jia Zhangke, Mariano Llinás e do cineasta francês Alain Cavalier, com o filme “Thanks for Coming”, uma espécie de despedida aos 95 anos, no encerramento do festival.
A competição portuguesa tem 11 filmes, curtas e longas-metragens, todas elas em estreia mundial, como “Povo e Poder”, de Ico Costa, que retrata Moçambique nas eleições presidenciais de 2024, e “A voz de todos – Jornal do Fundão”, de Manuel Mozos.
Na competição internacional está “13 Alfinetes”, filme que João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata fizeram sob encomenda da BoCA – Bienal de Artes Contemporâneas.
Em Lisboa vão estar a cineasta alemã Monica Maurer e a francesa Aude Fourel, tendo como foco a Palestina. A primeira “dedicou grande parte da sua vida a documentar a luta palestiniana”, enquanto a segunda “filmou-a a trabalhar com os seus arquivos”.
No festival vai estar ainda o cineasta, jornalista e advogado palestiniano Basel Adra, para falar de “No Other Land”, que correalizou com Hamdan Ballal, Yuval Abraham e Rachel Szor (estes dois coautores do documentário “Naza”), e que ganhou o Óscar de Melhor Documentário, em 2025.
“Num mundo em guerra, num país em que as nossas liberdades estão sob ameaça e a democracia sob ataque, num quotidiano em que o discurso de ódio, de exclusão e de extrema-direita se vai normalizando, acreditamos num festival onde permaneçam bem vivas a curiosidade, a sede de conhecimento, o encontro e o debate de ideias”, sublinha a direção do festival.
Os filmes “Knife: The attempted murder of Salman Rushdie”, de Alex Gibney, “Elza”, de Eryk Rocha, sobre a cantora brasileira Elza Soares, “Neste Quarto”, em que Ana Rocha de Sousa segue a fadista Carminho em digressão pelo Japão, e “Esta Vida de Marinheiro”, de Paulo Miguel Antunes, que relembra o percurso do músico João Aguardela, são outras propostas do festival.
O 24.º Doclisboa decorre até ao dia 25 na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa, Cinema Ideal e Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, onde é esperada uma performance, no âmbito da retrospetiva dedicada ao cineasta filipino Lino Brocka (1939-1991).

