O Porto de Maputo vai receber dragagens de 131 milhões de euros para aprofundar o canal e aumentar a capacidade operacional, permitindo a entrada de navios de maior dimensão.
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11/10/2026
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Lusa
O Porto de Maputo vai receber dragagens de 150 milhões de dólares (131 milhões de euros) a partir de segunda-feira para aprofundar o canal, receber navios de maior dimensão, aumentar a capacidade operacional e reforçar a competitividade.
De acordo com a MPDC – Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo, que promove a obra, esta operação permitirá aumentar a profundidade máxima do canal dos atuais 14,4 metros para 15,3 metros, bem como ampliar significativamente a sua largura, criando condições para a entrada de navios de nova geração com até 366 metros de comprimento, capacidade para cerca de 14.000 contentores e calado próximo dos 15 metros.
A concessionária afirma que o projeto representa “um investimento estratégico para o futuro do Porto de Maputo e do corredor logístico que serve a região”, nomeadamente a ligação à África do Sul, permitindo acompanhar a evolução do transporte marítimo internacional e responder ao crescimento da procura.
Segundo a empresa, a principal transformação ocorrerá ao nível da largura do canal, que nas secções retas passará de cerca de 110 metros para 210 metros, enquanto nas curvas aumentará de 150 para 295 metros, estando ainda prevista uma nova bacia de manobra com aproximadamente 660 metros de diâmetro.
“O aprofundamento e alargamento do canal representam um passo decisivo para aumentar a capacidade, eficiência e competitividade do Porto de Maputo”, refere a informação da MPDC, sobre o arranque desta operação, na segunda-feira.
A receção de embarcações de maior porte, acrescenta, permitirá movimentar maiores volumes de carga por escala, gerando ganhos de eficiência, redução de custos logísticos e maior competitividade para exportadores e importadores que utilizam o corredor de Maputo.
Os trabalhos deverão decorrer durante cerca de um ano e envolverão a remoção de aproximadamente 21,2 milhões de metros cúbicos de sedimentos, recorrendo a sete embarcações especializadas. Apesar da dimensão da operação, a empresa garante que “as operações portuárias decorrerão normalmente durante todo o período de execução dos trabalhos”.
A dragagem integra o programa de investimentos associado à extensão da concessão do Porto de Maputo até 2058, aprovada pelo Governo, e surge numa fase de forte expansão da capacidade da infraestrutura.
Em 2025, o Porto de Maputo registou um recorde de 32 milhões de toneladas de carga movimentada, mais 3,4% do que no ano anterior. A atual concessão à MPDC vigora até abril de 2058 e prevê investimentos de 600 milhões de dólares (514,2 milhões de euros) nos primeiros três anos. A MPDC resulta de uma parceria entre os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Portus Indico, participada pela multinacional logística DP World.
Paralelamente, estão a avançar novos projetos, como o Terminal de Contentores da DP World Maputo, que deverá aumentar a sua capacidade para cerca de 650 mil TEU por ano, enquanto o Terminal de Carvão da Matola prevê elevar a capacidade para aproximadamente 12 milhões de toneladas anuais.
Na área de minérios, os investimentos em curso deverão permitir aumentar a capacidade de manuseamento para 20,6 milhões de toneladas.
Em julho, o Conselho de Ministros aprovou o Programa Integrado de Investimento 2026-2030, considerado um dos principais instrumentos para concretizar a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-2044 e o Programa Quinquenal do Governo 2025-2029.
O executivo explicou que o programa visa “transformar o investimento em motor do desenvolvimento e criar as bases para a independência económica de Moçambique”, defendendo que os projetos apoiados deverão contribuir para a industrialização, criação de emprego e redução das desigualdades regionais.

