Eclipse solar. “Uma confirmação de como a Terra e o universo funciona”

Eclipse solar.

Mariana Lima, dois filhos e os pais, viajaram hoje de Lisboa para Sintra para ver o eclipse e juntaram-se a mais mil pessoas para, no Cabo da Roca, verem “a lua comer o sol”. E depois bateram-se palmas.

© Getty Images


12/08/2026
por

Lusa

No dia do eclipse solar, a empresa Parques de Sintra abriu o espaço do farol do Cabo da Roca, com entrada paga e óculos incluídos, e 1.100 pessoas compareceram junto daquele que é o ponto mais ocidental da Europa continental tendo o mar como horizonte.

 

Esse foi de resto um dos atrativos para Francisco Vargas, um venezuelano que vive há 17 anos em Portugal e que, em declarações à Lusa, apontou a facilidade em ver o eclipse, na ausência de prédios ou de árvores.

Mariana, Francisco, mas também Madalena, Sónia e Adriana, as três de Sintra, chegadas de autocarro para evitar o estacionamento, mal sabendo ainda que para sair do farol, de carro ou autocarro, haveriam de ser precisas quase duas horas.

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Miguel Patinha Dias | 23:45 – 12/08/2026

Quando falaram à Lusa, ainda antes do início do eclipse, que já sabiam que ia ser “algo rápido”, afirmavam-se entusiasmadas. “Espero que seja giro, é algo que não acontece todos os dias”.

Madalena lamentava apenas que não fique tudo escuro. Chegou quase na hora em que começou o eclipse, depois das 18:00 (início pelas 18:39), como muitas outras pessoas, a maior parte sentada pelo empedrado, outras tantas do lado de fora do recinto pago, algumas até com chapéus e cadeiras de praia, ainda que em dia de sol pouco quente e muito vento.

Mariana Lima já estava por essa altura instalada. Dois banquinhos de madeira para os pais, um termo com água, roupas para o frio, sumos e bolos. “Decidimos vir, não tínhamos óculos em lado nenhum e aqui dava para fazer as duas coisas, ter óculos e aproveitar a experiência”. Já tinha visto em 1999, mas este eclipse era especial, porque o sol ia ficar “mais tapado”.

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Zé, o filho, dizia que ia “ficar tudo escuro”, e Maria, a filha, que é coisa que só acontece uma vez na vida e que é de aproveitar.

Com muitas famílias no terreiro, foram as crianças as mais ansiosas. E se uma delas perguntava se os cães iriam ladrar quando chegasse “a luz”, outra explicava ao pai o eclipse: “Eu sei onde é que está a lua, a lua vem de cima e come o sol”.

E quando começou a “comer”, às 18:39, já todos tinham experimentado os óculos especiais para ver o eclipse, uns logo na entrada do recinto, outros a esforçarem-se para fazer “selfies” com os óculos postos, outros a testarem-nos com os telemóveis, uns a falar francês, outros espanhol, um grupo a falar ucraniano.

Houve quem levasse mantas, quem levasse champanhe, quem levasse um telescópio. E quem dissesse “é uma emoção”, quem dissesse apenas “brutal”, ou quem apenas olhasse, a luz do sol a ficar cada vez mais amarela.

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Lusa | 21:08 – 12/08/2026

“Está mesmo incrível”. E às 19:36, no máximo do eclipse, a luz do sol ainda assim sempre presente, bateram-se palmas. A maior parte das pessoas começou a abandonar o local nesse momento. A um canto, os copos de champanhe vazios e arrumados, ao meio do espaço Francisco Vargas e a mulher continuavam sentados, óculos postos, os filhos e um amigo por ali.

“Uma experiência incrível para viver em família, uma confirmação de como a Terra e o universo funciona”, disse entusiasmado, falando também do que é feito para se saber quando o eclipse ocorre e a que horas, ou da descida da temperatura

E foi o que esperava? “Foi. Não é total, mas é impressionante”, responde à Lusa o professor de física, que diz que há muita informação sobre o uso dos óculos mas que não se importa de estar muito tempo com eles porque quer desfrutar.

Afinal não é todos os dias que a lua vem de cima e come o sol.

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