Estado da UE? CIP lamenta que competitividade tenha perdido destaque

Estado da UE? CIP lamenta que competitividade tenha perdido destaque

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal lamentou hoje que o tema da competitividade tenha perdido destaque no discurso acerca do Estado da União Europeia (UE), que teve lugar esta quarta-feira.

© Jean-Christophe VERHAEGEN / AFP via Getty Images


17/09/2026
por

Lusa

Num comunicado, a CIP considerou “positivo que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tenha reconhecido no Parlamento Europeu a seriedade dos desafios com que a Europa se confronta e a necessidade de assumir uma maior responsabilidade pelo seu futuro”.

 

No entanto, a organização gostaria que “a competitividade, enquanto prioridade económica transversal, tivesse tido um maior protagonismo no discurso sobre o Estado da União Europeia”.

“É significativo que a competitividade, que era apresentada como a prioridade central da Comissão Europeia, tenha sido agora secundarizada”, afirmou Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, citado na mesma nota.

“Os países europeus e as suas empresas não podem permitir que isso aconteça, uma vez que os problemas identificados pelo Plano Draghi estão longe de estar resolvidos”, destacou, apontando que, para a CIP, a solução destes problemas passa “por dar prioridade ao aumento da competitividade, conciliando-a com as políticas europeias de coesão”.

Segundo a CIP, para quem investe e produz na Europa, a “realidade continua a ser de custos de energia elevados, demasiada complexidade regulatória e um Mercado Único que ainda está longe de funcionar como tal”.

“A Europa precisa de maior celeridade na decisão e na execução: o sucesso não pode ser medido pelo número de novas iniciativas ou estratégias, tem de ser medido pela capacidade de as concretizar e pela diferença que fazem para quem investe, produz, emprega e compete na Europa”, afirmou Rafael Alves Rocha.

A CIP garantiu que “partilha as preocupações de Ursula von der Leyen com as distorções do comércio internacional e as dependências externas excessivas, nomeadamente em relação à China”.

Segundo Rafael Alves Rocha, “a Europa tem de ser capaz de responder de forma firme às práticas comerciais desleais e às distorções que colocam as empresas europeias em condições de concorrência desigual”, salientando que “isso não significa fechar o mercado europeu, mas implica, por exemplo, que a União Europeia seja célere a concluir uma investigação ‘antidumping'”.

A União Europeia “não pode é pedir às empresas que aumentem a sua resiliência sem criar as condições para que estas o possam fazer sem perder ainda mais competitividade”, afirmou.

“Para uma economia como a portuguesa, diversificar mercados, fornecedores e parceiros é parte essencial da nossa resiliência”, disse ainda.

O diretor-geral da CIP saudou a presença do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, em Estrasburgo, e “a importância de reforçar laços com parceiros credíveis, apesar da necessidade de perceber com mais detalhe em que consiste a proposta de membro associado da UE enunciada por Ursula von der Leyen”.

Mas a CIP lamentou a ausência de referências aos EUA. “Independentemente das atuais tensões políticas e comerciais, a relação transatlântica permanece estrutural para a economia europeia e deve continuar a ser preservada e desenvolvida”, afirmou Rafael Alves Rocha.

A organização salientou ainda que o reforço das redes de energia e das interligações na União Europeia apresentado em dezembro de 2025, é “essencial para a competitividade europeia”, estranhando que “esse ponto não tenha sido referido explicitamente no discurso de Ursula von der Leyen”.

A CIP também se manifestou “surpreendida com a reduzida atenção dada ao próximo Quadro Financeiro Plurianual, numa altura em que a proposta da Comissão está em plena negociação”.

Para a organização é importante ainda “a dimensão empresarial da política de segurança e defesa”, com Rafael Alves Rocha a indicar que “uma Europa que assuma a responsabilidade da sua segurança precisa de reforçar a sua base industrial e tecnológica”.

Do “pragmático” à “hipocrisia”. As reações ao discurso de Von der Leyen

Ursula von der Leyen proferiu esta quarta-feira o discurso do Estado da União, que gerou críticas entre a maioria dos partidos portugueses no Parlamento Europeu. PSD foi a exceção, classificando a intervenção da presidente da Comissão Europeia como “realista e pragmática”.

Márcia Guímaro Rodrigues com Lusa | 19:31 – 16/09/2026

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