“Estranho”. Novo felino foi descoberto em estrada da Bolívia: O que sabe?

Uma nova espécie de felino foi descoberta na Bolívia e nomeada de “Leopardus tilcayo” – não só pela sua parecença a um pequeno leopardo, como também em homenagem à população da área onde foi descoberto. Animal foi encontrado na estrada, levado para casa e depois entregue num santuário, que percebeu: “Gato estranho”.

© Fernando Faciole/National Geographic/Handout via REUTERS


18/09/2026
por

Notícias ao Minuto, Lusa

Tem o tamanho de (alguns) gatos, mas pesa menos do que um. De aspeto, parece “vestir-se” como um leopardo e há ainda quem lhe aponte semelhanças a um gato-do-mato – mas não é nenhum destes. A nova espécie de felinos descoberta tem parecenças com muitos outros animais, mas usa nome próprio: “Leopardus tilcayo”.

 

Esta nova espécie, cuja descoberta foi anunciada esta semana, é a primeira identificada como nova em mais de um século.

Apesar de a informação ser agora conhecida, esta jornada começou há mais de uma década, quando um boliviano entregou num centro para animais aquilo que achava ser um gato, um ano depois de o ter econtrado junto a uma zona florestal denominada por Yungas – e que fica “colada” à Cordilheira dos Andes e à região da Amazónia.

Conta a National Geographic que o homem levou o animal para casa, acreditando que se tratava de um gato comum. Após um ano a viver com o animal, “claramente selvagem”, percebeu que era melhor entregá-lo a quem conseguisse cuidar dele, e, em 2016, levou-o até especialistas. Foi então que a bióloga  Paola Nogales Ascarrunz recebeu uma chamada do santuário. Do lado de lá, descreveram o animal como “um gato estranho”.

“Tirei umas 100 fotografias dele”, contou  especialista à National Geographic, dando conta de que quando o viu percebeu que este realmente seria fora do comum, já que era pequeno demais para a mairoia dos gatos já aultos, tinha as orelhas mais pequenas e um padrão fora do comum.

Há dez anos, a especialista pensou que este bichinho pertencesse à espécie “Leopardus tigrinus”, já identificada na América Central e do Sul. Mas em 2019 a investigadora deu conta de que o animal que tinha fotografado não era semelhante à referência que tinham, por exemplo, dado de animais dessa mesma espécie no Brasil. 

Depois, o trabalho de fundo continuou, tendo havido anos e anos de pesquisa e mais investigadores envolvidos. Publicado na quinta-feira na revista científica Current Biology, o estudo que deu esta novidade foi conduzido por uma equipa internacional que inclui o cientista Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), no Brasil, o investigador Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, e Ascarrunz.

De onde vem o nome?

A National Geographic, para onde trabalha Ascarrunz, afirma ainda que o animal deve assumir o nome de “Leopardus tilcayo” devido ao nome pelo qual  a população o conhece. “Perguntámos aos moradores: ‘Por que razão é que vocês o chamam de ‘tilcayo?'”, conta«ou Nogales-Ascarrunz, que é também boliviana. “E eles respondiam: ‘Não sei! O meu avô chamava-o de “tilcayo”, então eu também o chamo de ‘tilcayo'”. De acordo com a publicação, o nome não parece ter um significado específico em espanhol ou (O nome não parece ter um significado específico em espanhol ou no dialeto quíchua [quechua, povo indígena].

Até agora, os cientista podem afirmar que esta espécie vive na região das florestas de Yungas, na Bolívia, havendo ainda há muito mistério sobre o que esses felinos comem ou quais os animais que os veem como presas. A questão sobre como se reproduzem e muitos outros aspectos do seu dia a dia continuam por decifrar “Há tantas coisas básicas que desconhecemos”, diz Nogales-Ascarrunz.

Paola Nogales Ascarrunz está a instalar câmaras nas florestas de Yungas para documentar a espécie e conhecer “a sua distribuição, comportamento e necessidades de ‘habitat’ numa região ameaçada pela desflorestação e pela mineração”.

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