Estudantes de Medicina alertam para falhas na escolha de vagas

Estudantes de Medicina alertam para falhas na escolha de vagas

Os estudantes de Medicina alertaram hoje para falhas na plataforma de escolha de vagas do internato médico, após candidatos relatarem acesso antecipado a informações que, segundo a ACSS, resultaram de uma simulação técnica.

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21/10/2026
por

Lusa

Os estudantes de Medicina alertaram hoje para falhas na plataforma de escolha de vagas do internato médico, após candidatos relatarem acesso antecipado a informações que, segundo a Administração Central do Sistema de Saúde, resultaram de uma simulação técnica.

 

A presidente da Associação Nacional dos Estudantes de Medicina (ANEM), Maria Fontão, disse à Lusa que a associação ainda não conseguiu obter “informações exatas de que erro técnico ou humano pode ter acontecido”.

“Ainda não conseguimos compreender muito bem a extensão do problema, além do período de tempo durante o qual se verificou. Mas o que decorreu, nomeadamente no dia de ontem [terça-feira], foi que, alegadamente, houve o acesso a determinadas preferências ou a determinadas vagas que estariam ou não disponíveis, sendo que o processo de ordenação termina apenas hoje”, adiantou.

A presidente da ANEM explicou que o prazo para os candidatos submeterem ou alterarem as suas listas de preferências termina às 23:59 de hoje.

Contactada pela Lusa, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) explicou que foi realizada ao final da tarde de terça-feira uma simulação no âmbito dos procedimentos de verificação, validação e resiliência do sistema de colocação na formação especializada, tendo os resultados dessa simulação ficado temporariamente visíveis na plataforma.

“Contudo, a informação disponibilizada não corresponde aos resultados oficiais e não produz qualquer efeito sobre o procedimento de colocação, nem traduz uma atribuição efetiva de vagas aos candidatos, cuja integridade se mantém assegurada”, assegura a ACSS.

Segundo a ACSS, a simulação foi realizada pela SPMS – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, entidade responsável pela gestão tecnológica da plataforma de candidaturas.

A ACSS recorda que os resultados do primeiro lote apenas serão conhecidos na quinta-feira, às 10:03, após a execução do algoritmo de atribuição das vagas, com base nas preferências ordenadas pelos candidatos dentro do prazo estabelecido.

Nas declarações à Lusa, a presidente da associação afirmou que “não era suposto esta informação ser divulgada”, considerando que a “falha técnica ou humana” acabará por ter repercussões “na confiança do sistema”, que, afirmou, “já estava muito fragilizada, antes sequer desse processo de iniciar”.

A ANEM diz ter recebido relatos de candidatos, bem como vídeos e fotografias que alegadamente documentam o sucedido. “São tudo informações de candidatos e estamos a tentar guiar a nossa ação pela informação que temos destes reportes”, sublinhou.

A alteração do modelo mereceu críticas da Ordem dos Médicos e da ANEM, levando também à criação de uma petição pública, que, às 13:00 de hoje, tinha 6.418 subscritores que pediam transparência, equidade e justiça no processo de escolha de vagas.

A associação já tinha alertado anteriormente que o novo sistema, em vez de presencial, passou a ser ‘online’ e com os candidatos organizados por grupos a terem de indicar previamente as suas preferências.

Dependendo do número de candidatos em cada grupo, poderá ser necessário ordenar dezenas ou mesmo centenas de vagas, explicou a ANEM, para quem esta alteração pode levar à inclusão de vagas “sem uma preferência efetiva”, apenas para garantir uma colocação, “aumentando o risco de rescisões posteriores”.

A associação reconhece as vantagens da digitalização do processo, nomeadamente a possibilidade de os candidatos realizarem a escolha a partir de qualquer localização e disporem de mais tempo para organizar as suas preferências, mas avisa que as alterações podem ter “consequências relevantes” para os candidatos e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

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Lusa | 13:34 – 21/10/2026

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