EUA autorizam alimentação forçada a imigrantes detidos em greve de fome

EUA autorizam alimentação forçada a imigrantes detidos em greve de fome

A Justiça dos Estados Unidos autorizou 19 casos de alimentação forçada de imigrantes que iniciaram greves de fome em protesto contra a detenção pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).

© Nick Oxford for The Washington Post via Getty Images


06/09/2026
por

Lusa

 

O caso mais recente envolve um cidadão cubano detido no Centro de Processamento do ICE em Montgomery, no Texas, uma instalação administrada pela empresa privada GEO Group.

De acordo com uma investigação do jornal britânico The Guardian, um tribunal terá autorizado uma intervenção não consensual para facilitar a sua alimentação forçada diretamente no estômago.

Nos 19 casos detetados desde janeiro de 2025, o ICE solicitou autorização judicial para um “procedimento médico involuntário” para a alimentação forçada, uma prática denunciada como maus-tratos e tortura por organizações de defesa dos direitos humanos.

“A crueldade do ICE em reprimir protestos legítimos chega ao ponto de abrir o corpo de um manifestante para inserir um tubo no seu estômago. Este é apenas um exemplo dos horrores que ocorrem longe da nossa vista nos centros de detenção do ICE”, criticou Savannah Kumar, advogada da União Norte-Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês).

O jornal The Guardian teve acesso a uma ordem judicial do juiz federal Andrew Hanen, do distrito sul do Texas, afirmando que um tubo nasogástrico foi inserido no detido em agosto para alimentação forçada.

O ICE teria agora obtido uma prorrogação desta ordem e autorização para a cirurgia, conhecida como “gastrostomia endoscópica percutânea”.

O Homeland Security (Departamento de Segurança Interna), que supervisiona o ICE, informou na quinta-feira que o homem “voltou a alimentar-se” e já não está a ser alimentado à força, embora não tenha mencionado a cirurgia ou se voltou a alimentar-se após a autorização judicial para a operação, que aparentemente ainda não foi realizada.

O nome do cubano detido não foi divulgado porque as tentativas de contacto com ele não tiveram sucesso, explica o jornal britânico. Foi detido a 22 de julho e iniciou uma greve de fome três dias depois. Estava no país desde 1980 e teve a sua deportação ordenada em 2004.

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