O Departamento de Estado norte-americano autorizou hoje a venda à Ucrânia de 500 mísseis Patriot, após Kiev ter denunciado atrasos no fornecimento.
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30/10/2026
por
Lusa
O Departamento de Estado norte-americano autorizou hoje a venda à Ucrânia de 500 mísseis para as baterias antiaéreas Patriot, após Kyiv ter denunciado atrasos no fornecimento.
A operação — com um custo de 2,1 mil milhões de dólares (1,88 mil milhões de euros) — será financiada pela Alemanha, pelo Canadá e pela Noruega, sem recursos norte-americanos, segundo Washington.
O anúncio surge num contexto de tensões crescentes entre Washington e Kyiv, motivadas pela decisão norte-americana de flexibilizar algumas sanções contra a Rússia e por perturbações na ajuda militar às forças ucranianas.
A venda foi divulgada durante a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G20, em Atlanta, presidida pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
O encontro conta com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, cuja participação provocou a rejeição dos membros europeus do G20.
Lavrov afirmou ter tido uma conversa “bastante agradável” com Marco Rubio, à margem do G20.
“Tivemos uma conversa bastante agradável, breve, por razões óbvias (…) Discutimos alguns aspetos das nossas relações bilaterais, bem como a nossa cooperação em organizações multilaterais”, declarou Lavrov em conferência de imprensa.
A Ucrânia, que não integra o G20 — embora tenha participado em edições anteriores do fórum —, não foi convidada pelos Estados Unidos, país anfitrião.
Segundo o Departamento de Estado, os mísseis Patriot, fabricados pela empresa norte-americana Lockheed Martin, permitirão melhorar “a capacidade da Ucrânia para enfrentar as ameaças atuais e futuras, através do reforço das suas capacidades integradas de defesa aérea e antimíssil”.
Esta semana, Zelensky afirmou que Kyiv espera há quase um mês pela autorização norte-americana para receber mísseis de defesa antiaérea para enfrentar os ataques russos.
“Concretamente, estamos há quase um mês à espera de que o senhor Hegseth dê a sua aprovação aos mísseis para os Patriot e NASAMS”, acrescentou Zelensky, referindo-se ao secretário da Guerra norte-americano, Pete Hegseth.
Hoje, Zelensky lembrou nas redes sociais que a infraestrutura energética ucraniana sofre, “todos os dias”, o impacto dos ataques aéreos russos.
A Ucrânia enfrenta atualmente uma escassez acentuada de munições para estes sistemas de defesa antiaérea, que são fundamentais para intercetar os mísseis balísticos utilizados pelas forças russas.
A falta de intercetores aumenta a vulnerabilidade das cidades e infraestruturas ucranianas aos ataques aéreos russos.
Os Estados Unidos negaram, contudo, estar a atrasar deliberadamente o fornecimento de armamento à Ucrânia.
Nas últimas semanas, a administração Trump e a SpaceX apresentaram relatos contraditórios sobre as interrupções» no acesso da Ucrânia à internet por satélite Starlink, essencial para as suas operações militares, e que entretanto já foi restabelecido aos níveis normais.
No passado fim de semana, Musk reconheceu que a SpaceX limitou o serviço da Starlink na Ucrânia, acusando o país de violar os seus termos de serviço — uma alegação que as autoridades ucranianas negaram. Contudo, Musk sustentou que o governo norte-americano controlava quaisquer alterações realizadas no Starshield.
Em 2022, logo no início do conflito, Musk ordenou a interrupção do serviço Starlink em regiões como Kherson e Donetsk, justificando que estava preocupado com uma possível escalada por parte da Rússia.
O Presidente Donald Trump afirmou que não ordenou restrições, enquanto o vice-presidente JD Vance sugeriu que houve uma coordenação entre a Casa Branca e Musk.
Zelensky denunciou ainda restrições à partilha de informações dos serviços de informações norte-americanos, além das limitações ao funcionamento do Starlink, atribuindo os problemas a uma tentativa do Presidente Donald Trump de pressionar Kyiv a aceitar as condições exigidas pelo Kremlin para pôr fim à guerra.

