A União Europeia quer conter a entrada de automóveis híbridos chineses no mercado. A proposta de Bruxelas a Pequim passa por uma limitação voluntária das exportações deste tipo de viaturas.
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17/09/2026
por
Lusa
Depois dos elétricos, são os automóveis híbridos chineses que geram preocupação à União Europeia. Bruxelas quer conter a sua entrada no mercado comunitário e propõe à China uma limitação voluntária das exportações – sob pena da imposição de tarifas.
A UE pretende que Pequim se comprometa a limitar a quota dos automóveis híbridos fabricados na China a cerca de 15 por cento do mercado europeu, contra mais de um terço atualmente, disseram ao Financial Times três fontes conhecedoras das negociações.
“Se eles não limitarem as exportações para o nosso mercado, então fá-lo-emos nós“, afirmou um responsável europeu citado pelo FT, acrescentando que o objetivo é “travar a desindustrialização” e avançar para uma forma de “comércio gerido”.
A proposta surge antes de reuniões consideradas decisivas entre responsáveis europeus e chineses, previstas para outubro, em Pequim, destinadas a tentar reduzir os desequilíbrios comerciais entre os dois blocos.
Reequilibrar relação comercial
Além dos automóveis, Bruxelas terá proposto restrições voluntárias às exportações chinesas de outros produtos, incluindo químicos, e pretende também que Pequim aumente as compras de bens europeus.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou na quarta-feira que o défice comercial da UE com a China, equivalente a cerca de mil milhões de euros por dia, atingiu um “ponto de viragem”.
“O segundo choque da China já chegou”, afirmou, no discurso anual sobre o Estado da União.
“Usaremos todos os instrumentos à nossa disposição para reequilibrar a nossa relação. As palavras são boas. Mas os atos são melhores”, acrescentou.
O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, deverá deslocar-se a Pequim na segunda semana de outubro e pretende obter progressos concretos no reequilíbrio das relações comerciais antes da visita.
Em junho, a UE estabeleceu outubro como prazo para alcançar “resultados tangíveis” na redução do crescente défice comercial com a China, tendo as duas partes criado um fórum de consultas sobre comércio e investimento para abordar, entre outras questões, as dificuldades de acesso aos respetivos mercados.
Precedente com o Japão tem 40 anos
Segundo o FT, Bruxelas procura com a proposta reproduzir um acordo alcançado com o Japão em 1986, quando Tóquio aceitou limitar voluntariamente as exportações de automóveis para a Europa.
As restrições, mantidas até 1999, contribuíram para que fabricantes japoneses, como Toyota e Nissan, investissem em unidades de produção na Europa ou estabelecessem parcerias com empresas locais.
A pressão sobre Bruxelas para tomar novas medidas aumentou após as importações de híbridos chineses terem atingido um máximo histórico no segundo trimestre deste ano.
Elétricos tarifados há quase dois anos
A UE impôs, em outubro de 2024, direitos compensatórios de até 45 por cento sobre os automóveis elétricos fabricados na China, após uma investigação concluir que os fabricantes beneficiavam de subsídios estatais que prejudicavam os concorrentes europeus.
Pequim rejeitou as acusações e respondeu com medidas comerciais sobre produtos europeus, incluindo conhaque, carne e laticínios.
Os híbridos ficaram, porém, fora das tarifas adicionais e estão sujeitos apenas à taxa aduaneira de dez por cento.
Híbridos chineses “disparam”
As importações europeias de automóveis híbridos chineses aumentaram mais de dez vezes, de 3.800 unidades em outubro de 2024 para cerca de 50 mil em julho deste ano, ao mesmo tempo que os preços médios diminuíram, segundo o FT.
Fabricantes europeus, incluindo o grupo Volkswagen, têm defendido a aplicação de tarifas semelhantes às importações de híbridos chineses, num momento em que a indústria automóvel europeia enfrenta cortes de postos de trabalho e crescente concorrência de modelos produzidos na China.
Pequim argumenta que a competitividade dos seus produtos resulta da eficiência das empresas chinesas e rejeita as acusações europeias sobre subsídios desleais.

