ExxonMobil avança em megaprojeto de gás e já escolheu duas empresas

ExxonMobil avança em megaprojeto de gás e já escolheu duas empresas

Duas empresas moçambicanas foram escolhidas pela ExxonMobil para serviços de apoio logístico ao Rovuma LNG, reforçando a estratégia de conteúdo local numa fase de preparação para decisão final de investimento (FID) do megaprojeto de gás do norte de Moçambique.

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11/09/2026
por

Lusa

A adjudicação foi anunciada pela ExxonMobil, em nome da Mozambique Rovuma Venture (MRV), que representa os parceiros da Área 4, referindo que a CFML Logistics – da estatal Caminhos de Ferro de Moçambique – foi selecionada para fornecer serviços associados aos terrenos e infraestruturas da base logística do Terminal de Granéis de Pemba, enquanto a Alistair Group Mozambique será responsável por serviços relacionados com as operações logísticas de apoio à campanha de perfuração da Área 4 e às operações ‘offshore’.

 

Citada no comunicado, a presidente do conselho de administração e diretora-geral da ExxonMobil Moçambique, Johanna Boothey, afirmou que as adjudicações demonstram “o forte compromisso com o conteúdo local”, acrescentando que os contratos deverão contribuir para o desenvolvimento de capacidades nacionais e criação de valor duradouro no país.

Acrescentou que os contratos deverão também apoiar o desenvolvimento de infraestruturas portuárias de longo prazo em Pemba, na província de Cabo Delgado, com potencial para beneficiar outros setores da economia para além da indústria de petróleo e gás. Em paralelo, a ExxonMobil anunciou a assinatura de cartas de intenção com as empresas Saipem e Jan de Nul para a prestação de serviços de engenharia, aprovisionamento e apoio técnico no segmento ‘upstream’ do projeto.

O trabalho deverá permitir avançar com o planeamento detalhado do desenvolvimento da infraestrutura submarina necessária à produção de gás natural na Área 4.

Segundo o comunicado, o segmento ‘upstream’ contempla 18 poços e uma rede de condutas submarinas, numa fase que decorre enquanto os parceiros avançam para a decisão final de investimento, prevista para este ano. O consórcio internacional foi escolhido devido à experiência em projetos de engenharia, construção e instalação de infraestruturas submarinas em águas profundas.

As novas adjudicações surgem poucas semanas depois de a ExxonMobil ter anunciado contratos de pré-investimento avaliados em 1,1 mil milhões de dólares (947 milhões de euros) para aquisição e fabrico de equipamentos considerados críticos para o desenvolvimento do Rovuma LNG, envolvendo engenharia, aquisição e fabrico de sistemas de produção submarina, válvulas de grande diâmetro e gasodutos ‘offshore’, numa indicação de que os parceiros estão a acelerar os preparativos para a FID, prevista ainda para este ano.

Também em agosto, a petrolífera norte-americana contratou os gregos da Corinth Pipeworks para fornecer aproximadamente 250 quilómetros de tubagens destinadas à rede submarina de transporte de gás do projeto, num contrato avaliado entre 200 milhões e 250 milhões de dólares (172 milhões e 215 milhões de euros).

O Rovuma LNG é liderado pela ExxonMobil, enquanto operadora delegada da Área 4, em parceria com a ENH, CNPC, Eni, KOGAS e XRG. O projeto está avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros), valor que o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou em julho como o maior investimento privado previsto para o continente africano.

O desenvolvimento prevê a construção de 12 módulos de liquefação, com capacidade combinada para produzir 18,6 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, estando o início das operações apontado para 2031.

De acordo com a ExxonMobil, o Rovuma LNG tem potencial para gerar cerca de 6.000 milhões de dólares (5,2 mil milhões de euros) de atividade económica em Moçambique e criar oportunidades para cerca de 7.500 trabalhadores moçambicanos durante a construção.

A ExxonMobil levantou em novembro de 2025 a declaração de força maior que mantinha suspenso o projeto desde os ataques armados de 2021 em Cabo Delgado.

Moçambique conta atualmente com três grandes projetos aprovados para exploração das reservas da bacia do Rovuma, incluindo ainda a TotalEnergies, que prevê iniciar exportações da Área 1 em 2029, enquanto a italiana Eni produz desde 2022 através da plataforma flutuante Coral Sul e planeia expandir a atividade a partir de 2028 com o projeto Coral Norte.

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