Farmácias vs. supermercados: Há diferenças nos preços dos medicamentos?

Farmácias vs. supermercados: Há diferenças nos preços dos medicamentos?

Uma análise da DECO PROteste revela que os medicamentos sem receita são mais baratos nos espaços de saúde dos supermercados do que nas farmácias, com diferenças que chegam a 173%, por exemplo, no caso do Paracetamol Generis.

© Shutterstock


18/09/2026
por

Beatriz Vasconcelos

Sim, há diferenças nos preços dos medicamentos sem receita vendidos nas farmácias e nos espaços de saúde dos supermercados, de acordo com uma análise da DECO PROteste, à qual o Notícias ao Minuto teve acesso. A conclusão é clara: os medicamentos “são mais baratos nos espaços de saúde associados aos supermercados”.

 

Paracetamol destaca-se: 0,99€ ou 2,70€?

“Ao analisar os preços de cada medicamento, independentemente do local de venda, a DECO PROteste deparou-se com grandes diferenças. A mais expressiva cabe ao Paracetamol Generis MG 500 mg (20 unidades), que tanto pode custar 99 cêntimos como 2,70 euros. Visto assim, dado que os valores são relativamente baixos, a disparidade não parece abismal. Contudo, se vista em termos percentuais (173%) já impressiona”, pode ler-se na análise da organização de defesa do consumidor. 

A DECO PROteste também “destaca o Voltaren 25 (20 cápsulas) e o Strepfen Mel e Limão (24 unidades), com diferenças a rondar os 70%“. Ora, o “Voltaren Emulgelex 20 mg/g de 180 gramas apresenta o menor hiato, ainda assim, chega aos 38%”.

A conclusão da organização de defesa do consumidor é, portanto, que o “estabelecimento escolhido tem um peso importante na fatura final a pagar pelo consumidor“.

Entre os espaços de saúde dos ‘supers’, qual é o mais barato? 

A análise da organização de defesa do consumidor revela que a Wells, “do grupo Sonae, é a que vende o cabaz [de medicamentos] mais barato, em média”.

“No seu encalço segue o espaço Bem-estar, do Pingo Doce (mais 1%), e, um pouco mais distantes, a Saúde e Bem-Estar, da Auchan, e o Espaço Saúde, do El Corte Inglés. Nestes, o cabaz fica, respetivamente, três e seis por cento mais caro do que na Wells”, pode ainda ler-se na análise a que o Notícias ao Minuto teve acesso.

A DECO PROteste lembra que houve uma altura em que só as farmácias podiam vender medicamentos, fossem ou não sujeitos a receita médica: “Essa era terminou em 2005, com a entrada em vigor da lei que autoriza a disponibilização de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), também ditos ‘de venda livre’, fora das farmácias”.

Agora, “os locais de venda têm de ser autorizados pelo Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e
Produtos de Saúde”, sendo que a “mesma legislação liberalizou os preços, o que significa que estes são definidos por quem comercializa“. 

“Havia a expetativa de que, com a concorrência, os preços baixassem. Não aconteceu. Globalmente, os estudos realizados pela DECO PROteste, desde então, mostram o contrário. E o último, com preços de junho de 2026, não é exceção”, conclui a organização.

Utentes gastaram mais de 571 milhões com medicamentos até agosto

Os portugueses gastaram mais de 571 milhões de euros com a compra de medicamentos nas farmácias nos primeiros sete meses deste ano, o que representou um aumento de 11,7 milhões em relação ao mesmo período de 2025.

De acordo com o relatório de monitorização da despesa com medicamentos em ambulatório da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), consultado pela Lusa, os encargos dos utentes tiveram um aumento homólogo de 2,1% nesse período.

A despesa média de cada utente foi de 4,70 euros por medicamento, tendo sido dispensadas quase 162 milhões de embalagens entre janeiro e julho deste ano, mais três milhões do que nos primeiros sete meses do último ano.

O documento indica ainda que a despesa do SNS com a comparticipação de medicamentos em ambulatório ascendeu a mais de 1.179 milhões de euros, um aumento de quase 90 milhões face ao período de janeiro e julho de 2025.

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.