Artigo de opinião de Ana Paula Cruz Garcia, Subdiretora-Geral da DGAV.
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22/06/2026
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Notícias ao Minuto
“Quando pensamos em férias sustentáveis, tendemos a associar este conceito a escolhas visíveis, como reduzir o uso de plástico, respeitar os recursos locais, optar por meios de transporte menos poluentes ou procurar experiências mais conscientes e alinhadas com a preservação ambiental. No entanto, existe uma dimensão das viagens de que quase não falamos e que, apesar de parecer simples, também merece a nossa atenção: o “risco invisível” que podemos trazer connosco na mala quando regressamos a casa.
Durante as viagens, contactamos frequentemente com espécies vegetais, produtos locais e elementos naturais diferentes daqueles a que estamos habituados no quotidiano. Entre mercados, passeios por espaços naturais ou compras feitas durante a estadia, pode surgir a tentação de transportar frutos, plantas, sementes ou outros materiais de origem vegetal, muitas vezes sem consciência das implicações que esse gesto pode ter quando atravessa fronteiras.
À medida que aumentam as viagens internacionais durante os meses mais quentes, cresce também a importância de olhar para determinados comportamentos com maior consciência. Plantas, sementes, frutos, flores ou outros materiais de origem vegetal podem, em alguns casos, transportar organismos prejudiciais às plantas, cuja presença nem sempre é percetível, mas que podem afetar ecossistemas, habitats naturais e culturas agrícolas quando introduzidos em novos contextos ambientais.
Talvez nem sempre façamos esta associação, mas a saúde das plantas está diretamente ligada ao nosso quotidiano. A disponibilidade dos alimentos, a qualidade ambiental, a biodiversidade das paisagens e o equilíbrio dos ecossistemas dependem, em grande medida, da existência de plantas saudáveis e protegidas. Quando pragas e doenças se instalam em novos contextos, os impactos podem refletir-se na agricultura, nos habitats naturais e na sustentabilidade dos sistemas alimentares.
É precisamente por esta razão que existem regras e mecanismos de controlo fitossanitário rigorosos. Dentro da União Europeia, vigora uma regulamentação comum e sistemas de monitorização que ajudam a reduzir os riscos associados ao transporte de determinados materiais vegetais, embora isso não elimine totalmente a necessidade de comportamentos informados e responsáveis. Já em viagens provenientes de países fora da UE, os cuidados devem ser redobrados, uma vez que este tipo de produtos estão frequentemente sujeitos a restrições específicas ou exigem certificação fitossanitária, dada a distinta natureza dos riscos biológicos.
Viajar de forma sustentável implica, portanto, compreender que proteger um destino não passa apenas por minimizar a pegada de carbono, mas também por evitar comportamentos que contribuam para a introdução de ameaças biológicas. Pequenos gestos, como procurar informação antes de colocar um fruto na mala ou refletir se aquela semente é realmente necessária, fazem toda a diferença.
Esta mudança de mentalidade está no centro da campanha europeia #PlantHealth4Life, promovida pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e pela Comissão Europeia, e implementada em Portugal pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que procura aproximar o tema da saúde das plantas do quotidiano dos cidadãos e incentivar comportamentos mais conscientes e responsáveis.
Talvez uma das formas mais genuínas de viajar de modo sustentável passe por reconhecer que algumas recordações devem permanecer no lugar onde pertencem. Proteger um destino significa, também, ajudar a preservar os ecossistemas que o tornam único”.

