“Foi um ato de desespero”, defende advogada de jovem que matou a mãe

A advogada do jovem de 15 anos suspeito de matar a mãe, em Algés, diz que o crime foi “um ato de desespero” e que a morte “podia ter sido evitada”. “Alguém ia morrer. A mãe, o filho ou a irmã. Ou os dois”, atirou.

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A advogada do jovem de 15 anos suspeito de ter matado a mãe em Algés, no concelho de Oeiras, na semana passada, afirmou que o crime “foi um ato de desespero” e que a morte “podia ter sido evitada”. 

 

Gabriela Barbosa, de 33 anos, foi morta por asfixia com um golpe “mata-leão” aplicado pelo filho, na noite de 12 de agosto. O jovem alertou as autoridades no dia seguinte e confessou ter “discutido com a progenitora” antes do crime, adiantou, na altura, fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP) ao Notícias ao Minuto.

Em declarações ao Expresso, a advogada Cristiana Carvalho confirmou que “houve uma agressão anterior no outro dia” e defendeu que “o que aconteceu foi um ato de desespero que resultou de uma promessa não cumprida” pela Justiça.

“É uma morte anunciada e que podia ter sido evitada”, frisou.

A advogada contou que, “no dia 5 de agosto uma técnica da Segurança Social que trabalha com o tribunal prometeu ao menor que iria para uma instituição com a irmã“. No entanto, “os dias passaram e isso nunca aconteceu“. 

“Nem o juiz nem o Ministério Público decidiram retirar as crianças daquela casa e os conflitos continuaram”, adiantou.

Segundo Cristiana Carvalho, a família do pai, que está detido preventivamente pelo crime de violência doméstica, “enviou vídeos e e-mails ao tribunal e a todas as entidades envolvidas e ninguém fez nada“,

“Alguém ia morrer. A mãe, o filho ou a irmã. Ou os dois”, atirou.

Atualmente, o jovem está “medicado” e “isolado” num centro educativo e, “assim que estabilizar”, irá contar a sua versão dos factos. 

Família foi sinalizada pela CPCJ meses após chegar a Portugal

A família foi sinalizada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Oeiras (CPCJ) a 22 de maio de 2024, cerca de três meses após ter chegado a Portugal. 

“Relativamente aos Processos de Promoção e Proteção (PPP) a favor das crianças referidas (de 4 e 15 anos), vimos informar que os PPP foram instaurados, em sede de Comissão Restrita da CPCJ de Oeiras, na data de 22/05/2024”, confirmou a CPCJ ao Notícias ao Minuto.

No entanto, a CPCJ verificou posteriormente que não estavam a ser “cumpridos os pressupostos” da medida e o Processo de Promoção e Proteção relativo às duas crianças foi “remetido por incumprimento, com caráter prioritário, à Procuradoria do Juízo de Família e Menores de Cascais, na data de 24/06/2025”.

“Posteriormente, a CPCJ de Oeiras foi informada, pelo Tribunal de Família e Menores de Cascais, que foi aplicada Medida de Promoção e Proteção pelo Tribunal relativamente às duas crianças, encontrando-se desde essa data a ser acompanhada judicialmente”, esclareceu Rui Esteves.

Já fonte do Ministério Público (MP) confirmou, ao Notícias ao Minuto, “a existência, desde 2025, de Processo de Promoção e Proteção a favor do jovem e da irmã, no âmbito do qual se encontra em execução e acompanhamento medida de promoção e proteção aplicada a ambos”.

PSP foi à casa da família várias vezes

Soube-se também que a PSP foi a casa da família várias vezes em pouco mais de um ano, tendo a primeira deslocação acontecido a 25 de abril de 2025 “numa situação de violência doméstica entre os progenitores”.

Quase seis meses depois, a 14 de outubro, “na sequência de nova ocorrência de violência doméstica, a PSP procedeu à detenção do progenitor, ao qual viria a ser aplicada a medida de prisão preventiva”.

As autoridades voltaram ao local em 19 de maio de 2026, depois de ter sido comunicada uma “alegada situação de menores deixados sozinhos em casa”. À chegada, apuraram “que os menores tinham ficado ao cuidado de uma pessoa adulta, não se confirmando uma situação de abandono”.

Já, “em 23 de junho de 2026, após uma ocorrência entre o jovem e a mãe, a PSP elaborou uma participação por factos ilícitos e novo expediente no âmbito da Lei Tutelar Educativa, por alegadas injúrias e agressões do menor contra a progenitora”, lê-se na nota da PSP. 

A PSP adiantou ainda que “todas estas situações foram sinalizadas à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Oeiras”. 

O adolescente encontra-se agora internado num centro de acolhimento, em regime fechado, durante os próximos três meses. A medida será reavaliada dentro de dois meses.

“Tendo em conta a gravidade dos factos indiciados, esse perigo e a necessidade de acompanhamento educativo do jovem, foi determinada a aplicação da medida cautelar de guarda em centro educativo, em regime fechado. A medida tem a duração de três meses e será revista ao fim de dois meses”, informou o Conselho Superior de Magistratura (CSM), em comunicado.

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“Falou para o meu próprio filho [tirar a minha vida] que não ia dar nada para ele porque ele era menor de idade”, revela a vítima, Gabriela Barbosa, num vídeo enviado à família, no Brasil.

Notícias ao Minuto | 23:55 – 19/08/2026