França volta a destacar 70 mil agentes para após detetar riscos

França volta a destacar 70 mil agentes para após detetar riscos

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou que 70 mil agentes estarão mobilizados na quinta-feira devido ao risco de violência nas manifestações convocadas pela greve geral.

© Guy Smallman/Getty Images


04/11/2026
por

Lusa

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou hoje que o esquema de segurança dos dois últimos sábados se repetirá na quinta-feira, com 70 mil agentes mobilizados, devido à greve geral convocada, após detetado o “risco de violência”.

 

“Os serviços secretos detetaram que existem movimentos de ultraesquerda (mais extremistas que a esquerda radical) que pretendem participar nas manifestações sindicais para incitar à violência, com o objetivo de atacar estabelecimentos comerciais”, declarou Nuñez numa conferência de imprensa.

Além da greve geral convocada para quinta-feira, há manifestações previstas em todo o país contra a perda de poder de compra e a deterioração dos serviços públicos, como a educação.

De acordo com os relatórios da Direção Nacional dos Serviços Secretos Territoriais (DNRT, na sigla em francês)) — um serviço de informações francês ligado à Polícia Nacional —, prevê-se a presença entre 500 mil e 700 mil manifestantes nas ruas, sem contar com os protestos na capital, que costumam ser os maiores.

“Prevê-se uma participação tão grande quanto elevado é o risco de ocorrerem distúrbios que alterem a ordem pública”, alertou esta semana um relatório da DNRT, hoje divulgado pela rádio RTL e outros órgãos de comunicação social.

O ministro – que diversas vezes reconheceu que a ameaça foi subestimada a 17 de outubro, quando cerca de 3.000 estabelecimentos comerciais foram pilhados e vandalizados, bem como alguns edifícios públicos, como a câmara municipal de Limoges — afirmou que “ninguém entenderia” se o esquema de segurança utilizado nos sábados 24 e 31 do mês passado não se repetisse, dado que, naquelas ocasiões, foi possível reduzir drasticamente os incidentes.

“Estamos decididos a manter a ordem pública, tal como fizemos nos dois últimos sábados. O dia de amanhã (quinta-feira) é importante para os sindicatos e deve decorrer com tranquilidade. Caso contrário, agiremos com contundência”, alertou.

Nuñez indicou que, através das redes sociais, foram detetados apelos para “a prática de atos violentos e a insurreição”, o que levou as autoridades a repetir a mobilização, embora o cenário desta quinta-feira apresente características distintas.

Enumerou três ameaças: confrontos com a polícia, manifestações descontroladas e ataques a estabelecimentos comerciais e edifícios públicos.

Ao contrário dos três últimos sábados, em que os sindicatos se juntaram aos grupos estudantis e aos “coletes amarelos”, desta vez foram as centrais sindicais que convocaram a greve geral, à qual outros grupos aderiram.

Perante o risco de infiltração de grupos violentos nas manifestações sindicais, o Governo impediu que estas ocorressem em locais sensíveis ou no centro das cidades, o que gerou atritos com os organizadores.

“Na maioria dos casos, já foram alcançados acordos, mas em algumas cidades isso ainda não aconteceu. Caberá à justiça decidir”, afirmou Nuñez, acrescentando que foram identificadas cerca de 220 manifestações, a maior parte delas previamente comunicadas às autoridades, mas também outras realizadas sem aviso prévio.

O ministro destacou a importância de os sindicatos acionarem as suas próprias equipas de segurança para garantir que os protestos decorram de forma pacífica.

Entre os locais onde não houve acordo está a capital francesa, Paris: os sindicatos queriam que a manifestação partisse da Praça da Bastilha com destino à Praça da Concórdia, mas o ministro considerou que tal não é possível, por se tratar de uma zona próxima de “centros de poder”, como o Palácio do Eliseu ou a Assembleia Nacional.

Assim, por determinação do Comando de Polícia da capital, o cortejo só percorrerá o trajeto entre a Praça da República e a Praça da Nação.

A secretária-geral da principal organização sindical francesa, a CFDT (uma das organizações que convocaram a greve), Marylise Léon, criticou hoje, em declarações à imprensa, estas restrições ao direito de manifestação, classificando-as como inaceitáveis.

Em cidades como Lyon, os sindicatos recorreram à justiça para contestar limitações semelhantes, ao passo que em Toulouse existe a ameaça de realizar o protesto pelo centro urbano, apesar das proibições.

O Governo sustenta que o direito de manifestação não está em causa, ainda que certos percursos estejam interditos, e alega que, desde o início desta onda de mobilizações (o último sábado foi o terceiro consecutivo de protestos), foram dadas respostas — como melhorias na educação ou medidas para reduzir o preço dos combustíveis —, como hoje afirmou a porta-voz do Governo, Maud Bregeon.

No entanto, a porta-voz, que também desempenha as funções de ministra-adjunta da Energia, realçou que “não é admissível” que cenas como as de 17 de outubro se repitam.

A greve, de qualquer forma, ameaça afetar o funcionamento dos transportes ferroviários, o trabalho dos controladores de tráfego aéreo, o setor da saúde e os serviços públicos.

Na área da educação, que deu origem a estes protestos (iniciados no final de setembro com bloqueios nas escolas secundárias, mas que, com o tempo, incorporaram novas causas de descontentamento geral), o ministério da tutela estima uma adesão de 17,54% à paralisação.

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