O número de fusões e aquisições em Portugal caiu 37% no primeiro semestre deste ano, para 82 operações, enquanto o valor das transações recuou cerca de 87%, para 800 milhões de euros, segundo um estudo da Forvis Mazars.
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22/10/2026
por
Lusa
O número de fusões e aquisições em Portugal caiu 37% no primeiro semestre deste ano, para 82 operações, enquanto o valor das transações recuou cerca de 87%, para 800 milhões de euros, segundo um estudo da Forvis Mazars.
De acordo com o relatório “Investing in Southern Europe: M&A and Private Equity Activity in 2026”, elaborado pela Forvis Mazars em parceria com a Mergermarket, o valor das operações realizadas em Portugal compara com os 6,3 mil milhões de euros registados no primeiro semestre de 2025.
A evolução do mercado português contrasta com a do Sul da Europa, onde o valor das fusões e aquisições aumentou 37%, para 147,7 mil milhões de euros, impulsionado por operações de grande dimensão e pelo interesse dos investidores internacionais.
Em Portugal, a maior operação anunciada no primeiro semestre envolveu o Grupo Sabseg, especializado em mediação de seguros e gestão de risco, num negócio de 600 milhões de euros que incluiu um novo investimento da Miura Partners e o reforço da participação da Schroders de 2% para 20%.
A segunda maior operação foi realizada no setor do turismo e lazer, com a aquisição do Caesar Park, um hotel de cinco estrelas e ‘resort’ de golfe em Sintra, pela Catterton Management e pela Cedar Capital Partners, por 140 milhões de euros.
Segundo o estudo, as três maiores operações realizadas no mercado português foram lideradas por compradores internacionais, provenientes do Reino Unido, Espanha e Países Baixos, evidenciando a importância do investimento estrangeiro.
Apesar da quebra da atividade, a senior manager de Transaction and Advisory Services da Forvis Mazars em Portugal, Filipa Matias, considera que continuam a existir oportunidades no mercado nacional.
“A atividade subjacente em operações de menor e média dimensão continua presente, embora seja menos visível nos dados de transações com valores divulgados”, afirma, citada no estudo.
Segundo a responsável, as perspetivas são sustentadas pelo interesse dos investidores estrangeiros, por operações apoiadas por fundos de capital de risco e pela consolidação de setores fragmentados, com destaque para a tecnologia, serviços empresariais, indústria e ativos imobiliários e hoteleiros.
O relatório salienta ainda que Portugal é o único mercado do Sul da Europa onde o número anual de operações de fusões e aquisições aumentou ou se manteve estável em todos os anos desde 2016, uma tendência cuja continuidade fica agora em aberto perante a quebra registada no primeiro semestre.
Ainda assim, foram identificadas 33 potenciais oportunidades de fusões e aquisições em Portugal, distribuídas por 12 setores, num total de 608 oportunidades sinalizadas no Sul da Europa.
No conjunto da região, que inclui Itália, Espanha, Suíça, Turquia, Portugal e Grécia, foram anunciadas 1.858 operações no primeiro semestre, menos 6% do que no período homólogo, apesar do aumento de 37% no valor agregado das transações, passando de 107,9 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025 para 147,7 mil milhões de euros.
Itália liderou o mercado regional, com 754 operações, no valor de 87,1 mil milhões de euros, seguida de Espanha, com 600 operações e 28,7 mil milhões de euros.
Os investidores de fora da região foram responsáveis por cerca de 41% do valor total das transações, equivalente a mais de 61,2 mil milhões de euros, destacando-se os compradores norte-americanos (139 operações num total de 23,7 mil milhões de euros) e britânicos (88 operações num total de 23,3 mil milhões de euros).
Para os próximos meses, a Forvis Mazars antecipa a manutenção de oportunidades de investimento, apoiadas pelas condições de financiamento, pelos processos de sucessão empresarial e pela consolidação de setores, embora as tensões geopolíticas, os preços da energia e as políticas comerciais continuem a representar fatores de incerteza.

