Governo defende construção de duas barragens para combater seca em Viseu

Governo defende construção de duas barragens para combater seca em Viseu

A ministra do Ambiente e Energia defendeu hoje a construção das barragens de Fagilde e de Girabolhos, destacando o stress hídrico em Viseu e a importância da região para o abastecimento de água do país.

© Horacio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images


05/11/2026
por

Lusa

A ministra do Ambiente e Energia defendeu hoje a construção das barragens de Fagilde e de Girabolhos, seja porque Viseu sofre de stress hídrico ou por a região abastecer uma boa parte do país, justificou.

 

“A [barragem] de Girabolhos demora sete anos a construir. A região de Viseu, toda esta região, está em stress hídrico. Estamos a rezar para que chova, portanto, não podemos correr o risco de esperar sete anos e aumentar a probabilidade de termos cenas como tiveram há anos [em 2017] de abastecimento”, argumentou Maria da Graça Carvalho.

“Até estamos a estudar uma solução, para o caso de ser preciso, provisória, para que nunca tenhamos de recorrer a autotanques como foi feito no passado. Esta zona é extremamente vulnerável às questões da seca”, sublinhou.

A ministra falava aos jornalistas à margem da cerimónia dos 47 anos da Universidade Politécnica de Viseu, celebrados ao final da tarde de hoje, e a propósito de professores universitários terem defendido a construção de uma única barragem, ou uma nova em Fagilde ou a de Girabolhos.

A barragem de Fagilde, no rio Dão, abastece os municípios de Viseu, Mangualde, Sátão, Penalva do Castelo e Nelas e o projeto contempla uma nova a cerca de 100 metros a jusante da atual.

A barragem de Girabolhos está projetada para o rio Mondego, abrangendo os concelhos de Seia e Gouveia, do distrito da Guarda, e Mangualde e Nelas, do distrito de Viseu.

A ministra disse ainda que a barragem de Fagilde “é pequena” e que o governo vai “dar uma maior celeridade para que esteja pronta em 2029”, ou seja, em três anos, “o que é diferente de ter uma em sete”.

“Se eu tivesse a barragem de Girabolhos pronta, eu não precisava de Fagilde, mas não tenho”, assumiu Maria da Graça Carvalho.

A governante disse ainda que, “já para este ano”, entre as alternativas para o abastecimento de água na região, tendo em conta a ausência da chuva, está a “reutilização de águas residuais, principalmente para a indústria” da região.

“Para o abastecimento urbano – as previsões dizem que para já não é preciso -, mas estamos a estudar, do ponto de vista da engenharia, ligações a outras barragens aqui perto. Provisórias, porque depois vamos ter Fagilde, mas para que haja abastecimento urbano perto daqui, ou do Mondego ou outro sistema, é ver o que é mais económico do ponto de vista da engenharia para que não falte aqui água”, adiantou.

A governante lamentou ainda “que não tivesse sido feita há mais tempo” e reforçou que terá “o dobro da capacidade” da atual e é um investimento inferior à de Girabolhos e, por isso, “pode ser construída primeiro e é prioridade absoluta” e o objetivo “é ficar pronta ainda neste quadro comunitário, até 2029”.

Questionada sobre a garantia do abastecimento pela empresa Águas Douro e Paiva, sem a necessidade da nova barragem, a governante disse que “sem a barragem, teriam de ser construídas condutas que são tão ou mais caras que a barragem e gastam muita energia” e isso “foi estudado do ponto de vista técnico”.

A barragem de Girabolhos, justificou, é igualmente “muito importante” para toda a região, “para a produção de energia, para armazenamento de água e energia, para regular o caudal do [rio] Mondego e é fundamental do desenvolvimento de toda” a área.

“Sabemos que é uma zona que dá muito ao país no abastecimento de água. Na zona do Zêzere e do Tejo, fornece toda a grande Lisboa e, agora, vai começar a fornecer água também para a margem sul”, indicou, somando mais de três milhões de pessoas.

“E depois toda a alimentação do Mondego. São quase dois terços de Portugal que bebe água pela boa qualidade dos ecossistemas desta região e, portanto, há aqui uma dívida do país para com esta região”, vincou.

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Lusa | 19:46 – 05/11/2026

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