Havana acusa EUA de chantagearem países a mudar voto na ONU sobre embargo

Havana acusa EUA de chantagearem países a mudar voto na ONU sobre embargo

O ministro cubano dos Negócios Estrangeiros denunciou pressões e chantagem por parte dos EUA para alterar o voto de países na ONU sobre o embargo à ilha.

© ADALBERTO ROQUE/AFP via Getty Images


21/10/2026
por

Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano denunciou hoje “pressões externas sem precedentes” de “coação e chantagem” por parte de Washington sobre vários países da ONU para alterarem o sentido de voto no próximo debate sobre o embargo à ilha.

 

Bruno Rodríguez referiu, durante uma conferência de imprensa em Havana, que a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, tem vindo a aplicar “um conjunto de métodos que constituem uma verdadeira política de coação e chantagem” a vários países, caso estes votem, no debate da Assembleia-Geral da ONU agendado para a próxima semana, a favor do projeto de resolução cubano que condena o embargo dos Estados Unidos (EUA).

Referiu, concretamente, ameaças de “direitos aduaneiros punitivos, de pôr fim a programas de colaboração, interferir em processos eleitorais, incentivar golpes de Estado, desestabilizar politicamente esses países ou aplicar sanções secundárias, bem como a recusa de vistos a funcionários governamentais e aos seus familiares”.

O chefe da diplomacia cubana apresentou documentos divulgados pelo Departamento de Estado norte-americano que convidavam delegações estrangeiras para eventos na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, com o objetivo de “obrigar um grupo de países a alterar a sua posição sobre o embargo”.

“O Departamento de Estado chegou ao cúmulo do ridículo, pois trata-se de um reconhecimento das intensas ações, chegando ao ponto de pedir a certos países, que há décadas têm um voto tradicional, que abandonem a sala ou se abstenham”, salientou Rodríguez ao mostrar um vídeo do embaixador dos EUA junto da ONU, Mike Waltz, a fazer esse pedido.

Referiu ainda que “é surpreendente que os EUA estejam a utilizar um país latino-americano como fantoche para obrigar um grupo de países a mudar a sua posição sobre o embargo”, embora não tenha especificado a que país se referia.

Rodríguez explicou que, no debate na ONU, previsto para os próximos dias 27 e 28, pela primeira vez a Assembleia-Geral também se vai “pronunciar através de uma resolução” sobre o bloqueio energético imposto por Washington desde janeiro, que interrompeu todas as importações de combustível para a ilha caribenha.

“Nenhum pretexto relacionado com o objetivo obstinado dos EUA, que é uma mudança política em Cuba, nem qualquer divergência política entre governos”, justifica estas ações, insistiu.

“Será que os Estados soberanos do planeta permitirão que as leis norte-americanas sejam aplicadas nos seus territórios ou que a jurisdição dos tribunais norte-americanos se aplique nos seus países?”, questionou o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, acrescentando que, no debate da próxima semana, “ninguém poderá lavar as mãos”.

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