Os rebeldes Huthis atacaram o aeroporto de Riade e alertaram trabalhadores de refinarias sauditas para abandonarem as instalações, reivindicando o ataque e instando a população a tomar precauções.
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08/10/2026
por
Lusa
Os rebeldes Huthis ameaçaram hoje atacar instalações petrolíferas da Arábia Saudita e instaram todos os trabalhadores a abandoná-las, reivindicando ainda um segundo ataque contra o aeroporto de Riade.
“As nossas forças armadas atacaram o aeroporto Rei Khalid, em Riade, ao meio-dia, com um míssil balístico que atingiu o alvo”, afirmou o porta-voz dos rebeldes, Yahya Saree, acrescentando que o ataque provocou “danos e perturbações no tráfego aéreo”.
No final da manhã de hoje, Riade já tinha sido atingida por bombardeamentos dos rebeldes.
O aeroporto internacional de Riade pediu aos viajantes que verificassem junto das suas companhias aéreas se o seu voo tinha sido cancelado antes de se deslocarem ao local.
“Por favor, contactem a vossa companhia aérea e confirmem o estado do vosso voo antes de se dirigirem ao aeroporto”, lê-se num comunicado publicado na rede social X.
Os Huthis lançaram, num segundo comunicado, um aviso aos trabalhadores que operam refinarias sauditas.
“As Forças Armadas do Iémen [Huhtis] alertam todos os funcionários, incluindo especialistas, engenheiros e trabalhadores em todas as instalações petrolíferas sauditas, para que não se encontrem em locais que constituam alvos para as nossas forças, de modo a não colocarem as suas vidas em risco, quer se trate de locais anteriormente visados, quer de outros”, anunciaram os rebeldes numa nota divulgada nas redes sociais.
Os rebeldes têm visado refinarias e outras instalações sauditas junto à fronteira com o Iémen desde a escalada do conflito no país e alegam ter visado hoje instalações petrolíferas na cidade costeira de Abqaiq, perto do Bahrein.
Os Huthis reiteraram ainda os avisos às “companhias aéreas nas zonas e aeroportos”, bem como “aos viajantes e trabalhadores neles presentes”.
A coligação militar liderada pela Arábia Saudita anunciou momentos depois ter intercetado dois mísseis dos rebeldes em direção à capital.
“Intercetámos e destruímos dois mísseis balísticos lançados pela milícia terrorista contra Riade”, afirmou na rede social X o porta-voz da coligação, Turki al-Maliki.
O conflito entre os Huthis e as forças militares do governo internacionalmente reconhecido do Iémen e apoiado pela Arábia Saudita escalou em julho.
Os rebeldes, que há mais de uma década controlam a capital iemenita, Sana, e vastas áreas do país, lançaram no mês passado uma ofensiva-relâmpago que lhes permitiu assumir também o controlo de toda a costa iemenita virada para o mar Vermelho e reforçar o domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do Canal do Suez.
Em setembro, uma ofensiva-relâmpago dos Huthis permitiu-lhes assumir o controlo de toda a costa iemenita virada para o Mar Vermelho e reforçar o domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do Canal do Suez.
As forças governamentais, apoiadas por aviões de combate sauditas, lançaram uma contraofensiva no passado fim de semana, reivindicando “vitórias em várias frentes”.
No entanto, os Huthis contestam estes avanços, e fontes militares de ambos os lados ouvidas pela agência de notícias France-Presse não relataram alterações significativas no terreno.
Desde a escalada do conflito nos últimos meses, cerca de 201.217 pessoas “foram forçadas a abandonar as suas casas”, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que alerta para a falta de recursos financeiros necessários para enfrentar esta nova crise humanitária no país mais pobre da Península Arábica.

