O responsável pelas parcerias da Google para o sul da Europa afirma, em entrevista à Lusa, que a IA pode representar uma oportunidade muito interessante para os media e admite que haverá uma evolução no perfil de jornalista.
© Getty Images
24/06/2026
por
Lusa
Riccardo Terzi
“A IA [inteligência artificial] pode representar uma oportunidade muito interessante para os media, para os media tradicionais e para a indústria” do setor, considera Riccardo Terzi,’head of partnerships” da Google para o sul da Europa, admitindo que “muitas coisas ainda têm de ser ajustadas ao novo modelo”.
A conversa que a Google tem estado a ter com os líderes de media, acrescenta, “está relacionada, por exemplo, com o controlo da IA e com os direitos de remuneração”, abrindo, assim, “um novo campo de diálogo e de conversa”.
Riccardo Terzi sublinha que é o primeiro a dizer que “ainda há muito a fazer” e que estão todos numa fase “completamente experimental”.
Paradoxalmente, “mesmo que agora estejamos todos a discutir sobre a flutuação do tráfego, o paradigma que está a mudar, especificamente no jornalismo, penso que a IA é uma ótima ferramenta para permitir aos jornalistas dedicar mais tempo, na minha opinião, ao que será ainda mais relevante no futuro”, sublinha.
Ou seja, “a capacidade de analisar criticamente os factos, a capacidade de ser humano e atual e a capacidade de criar um vínculo ético com os seus leitores, algo que um algoritmo e uma máquina nunca serão capazes de fazer”, enfatiza o responsável da Google.
Nesse sentido, considera que “a oportunidade está em utilizar esta tecnologia com o propósito certo na produção de informação” e “posicionar o jornalismo da forma correta face aos muitos fenómenos, especialmente no público jovem da Geração Z, que dizem estar interessado em aprofundar a informação”, argumenta Riccardo Terzi.
“Acho que, se juntar tudo isto, sim, tenho uma opinião positiva sobre como isto vai evoluir” no setor dos media.
Riccardo Terzi manifesta-se completamente contra a teoria especulativa de que a IA vai substituir o jornalismo.
“Discordo completamente. Sou a favor da participação humana (‘human-in-the-loop’), como costumamos dizer no mundo da tecnologia, e sou a favor do facto de as ferramentas e a tecnologia de IA conferirem aos humanos, e neste caso aos jornalistas, superpoderes para serem ainda mais fiscalizadores [‘watchdog’) do que antes”, prossegue.
A geração mais jovem “sente menos pertença às marcas de media tradicionais, mas talvez se sinta demasiado ligada aos jornalistas individualmente”, refere, apontando que “é como se os jornalistas se estivessem a tornar marcas em si mesmos”.
Por exemplo, “falo do fenómeno dos criadores” de conteúdos, “que estão muito próximos dos diferentes formatos, formatos multimodais, áudio e vídeo”.
Nesse sentido, admite que os jornalistas devem provavelmente evoluir “do texto para formatos profundamente novos, começando pelo vídeo”.
E, provavelmente, “podem começar a considerar como construir a sua própria comunidade com as pessoas, como usar o tom de voz, como fazer investigações, como julgar a vida e os factos”, acrescenta.
No geral, “vejo o perfil do jornalista a evoluir como qualquer outro perfil profissional, mas de forma alguma a ser substituído pela tecnologia”, remata Riccardo Terzi.

