Muitos portugueses, entre seguranças e polícias, vigiam a votação para a primeira volta das presidenciais brasileiras em Lisboa, mas há entre eles brasileiros que ajudam a cumprir a votação no seu país, apesar de imigrantes há anos em Portugal.
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04/10/2026
por
Lusa
“Estou cá há muito tempo, mas ajudei a verificar as urnas eletrónicas”, disse à Lusa na Faculdade de Direito de Lisboa Paulo Ilharco, um dos técnicos de informática que acompanha a votação.
A alguns metros, Ana, funcionária da empresa de segurança destacada para orientar os eleitores brasileiros cumpre um sonho que trazia do Rio de Janeiro, de onde veio há dez anos.
“Estou a ajudar no processo eleitoral. É emocionante para mim”, diz a segurança, pouco depois de avisar um compatriota que o ponto de saída do local de voto era por outro sítio.
Durante o dia de hoje, em Lisboa, os 79 mil eleitores dividem-se por mesas nas Faculdades de Direito, de Letras e na Reitoria da Universidade de Lisboa, numa operação de grande dimensão, que implicou a colocação de baias de segurança, equipas de vigilância e apoio logístico.
Entre as principais preocupações está a inviolabilidade das urnas eletrónicas, uns teclados eletrónicos onde cada eleitor, depois de registado pela secção, insere os dígitos que correspondem ao seu candidato.
“O processo das urnas eletrónicas têm vários fatores de segurança, mas o principal é que, durante o processo de votação, não está ligado à internet e é completamente offline”, explicou Paulo, salientando que o sistema é “quase como uma ‘pen drive’ protegida, onde se pode só adicionar informação e só se pode retirar através de um ‘print'”, final com o resultado das eleições da máquina.
“Fazemos a checagem das máquinas do Tribunal Superior Eleitoral, quando chegam a Lisboa e verificamos o estado de cada urna”, explicou Paulo Ilharco.
Em Lisboa, estão 103 urnas eletrónicas e “tem estado tudo a funcionar bem”.
“Nalguns casos, houve uns ‘probleminhas’ com as horas registadas nalguns aparelhos, que têm de ser as de Lisboa, mas ficaram resolvidos e está tudo perfeito”, explicou.
“No início da sessão, a mesa afixa a ‘zerésima'”, um documento impresso semelhante a uma fatura que é colocado à porta de cada sala e que indica que “não tinha nenhum voto já carregado”. Depois, “ao fim do dia, é só imprimir o resultado final”.
O Brasil é a maior democracia do mundo que utiliza urnas eletrónicas desde 1996, um processo que acelerou a contagem final e impediu o enchimento de votos ou a viciação dos resultados.
“Ainda não votei, mas já vou pedir um tempo para ir lá votar. É a minha obrigação”, salientou a segurança brasileira.
Contudo, a obrigação nem sempre foi cumprida. “Vivo cá há muitos anos, mas é a primeira vez que vou votar, se calhar é por estar cá a trabalhar”, reconheceu.
A tradição aponta para uma abstenção de 50% nas eleições presidenciais brasileiras em Portugal, mas, desta vez, a embaixada espera uma redução, devido ao alargamento do número de locais de voto.
Mais de 158 milhões de brasileiros são hoje chamados às urnas para as eleições gerais do país, em que se procura também eleger o próximo Presidente, num escrutínio altamente polarizado entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
As eleições, cujo voto é obrigatório no Brasil, pretendem eleger governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais, além do próximo chefe de Estado.
O Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o mesmo adversário que tenta agora derrotar, apesar de as sondagens apontarem para um empate técnico.
Em Portugal estão recenseados mais de 134.000 brasileiros que deverão votar obrigatoriamente nas eleições presidenciais de hoje, nas mesas de voto disponíveis no país, que estarão abertas das 08:00 às 17:00.
De acordo com a legislação brasileira, o voto é obrigatório para todos os cidadãos alfabetizados, dos 18 aos 70 anos, mesmo que estejam emigrados, sendo que estes apenas vão ajudar a eleger o Presidente e o vice-Presidente da República. A votação para governadores, deputados e senadores é restrita aos cidadãos que vivam no país.
Em Lisboa estão inscritos cerca de 79.000 eleitores, no Porto são mais de 47.000 e em Faro perto de 9.000.
Lisboa é o maior ponto de votação de brasileiros no estrangeiro e Portugal é o segundo maior colégio eleitoral no estrangeiro, atrás dos Estados Unidos da América.

