As forças armadas indonésias mobilizaram mais de 20.000 efetivos para Jacarta, anunciaram as autoridades, após a detenção de três generais por suspeita de escutas ilegais do Presidente Prabowo Subianto.
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04/11/2026
por
Lusa
As forças armadas indonésias mobilizaram mais de 20.000 efetivos para Jacarta, anunciaram hoje as autoridades sem especificar o motivo, após a detenção de três generais por suspeita de escutas ilegais do Presidente Prabowo Subianto.
A polícia indonésia anunciou na terça-feira à noite, numa conferência de imprensa transmitida pela televisão, que deteve no domingo três generais da polícia como suspeitos numa investigação a alegadas escutas ilegais.
Entre os detidos está o chefe de gabinete da presidência, o general Listyo Sigit Prabowo.
Numa conferência de imprensa realizada hoje no palácio presidencial, em Jacarta, o ministro da Secretaria de Estado, Prasetyo Hadi, considerou que as alegadas escutas poderiam vir a constituir um caso de traição.
“O que fizeram pode ser considerado um ato com vista à traição, uma vez que coloca em perigo os interesses do Estado, incluindo a liderança do país”, justificou, citado pela agência norte-americana AP.
Hadi disse que eventuais escutas telefónicas ao Presidente da República poderiam envolver “informação altamente sensível que poderia ser potencialmente utilizada para fins que põem em risco os interesses da nação”.
Há também alegações de que membros do Governo, políticos, jornalistas, líderes da sociedade civil e executivos do meio empresarial foram igualmente sujeitos a vigilância não autorizada.
Hadi acrescentou que o Governo continuava a aguardar o desfecho da investigação policial antes de determinar os motivos dos suspeitos.
As autoridades não confirmaram que a mobilização de tropas estivesse relacionada com a investigação ao caso das escutas.
A primeira fase começou na segunda-feira, com 2.100 efetivos de unidades já estacionadas em Jacarta.
Tropas vindas do exterior da capital deviam começar a chegar hoje, elevando o número total de efetivos envolvidos para 20.980, disse o assistente de operações da marinha, o vice-almirante Yayan Sofiyan.
A nova mobilização inclui tropas provenientes de unidades fuzileiros e da marinha, bem como de centros de instrução e bases navais de Java e da província de Lampung.
Outros 13.140 efetivos encontram-se em estado de alerta e prontos para serem mobilizados se necessário, adiantou Sofiyan.
O vice-almirante não pormenorizou a finalidade do destacamento nem respondeu a perguntas sobre eventuais preocupações com a segurança ou tensões políticas em Jacarta.
O porta-voz das Forças Armadas indonésias, o major-general Muhammad Nas, afirmou que a movimentação de tropas é um procedimento padrão para manter a segurança nacional e a integridade territorial.
“As mobilizações de tropas são um acontecimento normal”, disse Nas, acrescentando que as Forças Armadas “têm de estar sempre preparadas para proteger toda a nação e salvaguardar a integridade da República da Indonésia”.
Além do chefe de gabinete da presidência, foram detidos os generais da polícia Ahrie Sonta Nasution e Eko Hadi Santoso.
Os três oficiais são suspeitos de interceção ilegal de comunicações, acesso ilegítimo a sistemas eletrónicos e eliminação de dados eletrónicos.
A polícia alega que as escutas não autorizadas ocorreram entre 2025 e 2026, período em que Listyo exercia o cargo de chefe da polícia da Indonésia.
Os suspeitos ordenaram as escutas sem cumprirem os procedimentos legais, segundo os investigadores.
Os detidos são também acusados de terem ordenado, no final de outubro, a eliminação de ficheiros contendo comunicações intercetadas, alegadamente numa tentativa de ocultar provas e apagar vestígios da operação.

