A comentadora do “Passadeira Vermelha”, Joana Latino, reagiu às recentes notícias depois de Carolina Deslandes ter-se manifestado sobre a sua recente transformação física. “O que ela está a fazer é enxotar as pessoas, a ser pedante e a armar-se em superior.”
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08/09/2026
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Notícias ao Minuto
Carolina Deslandes esteve em destaque no “Passadeira Vermelha”, da SIC Caras, por causa da sua recentes transformação física, estando visivelmente mais magra.
Joana Latino começou por comentar o tema ao revelar-se “muito preocupada com o avançar desta coisa da utilização dos GLP-1”.
“Acho maravilhoso que tenho sido encontrado um medicamento que ajuda as pessoas a sair do estado de obesidade. Acho milagroso, até, que pessoas que viveram com uma doença muito complicada durante muitos anos possam agora, finalmente, com acompanhamento médico, ter o tratamento certo para encontrarem um corpo e um mente saudáveis.
O medo que tenho em relação a isto é que as pessoas se transformem naquilo que andamos a ver nas passadeiras vermelhas de todo o mundo, que são cadáveres, pessoas esqueléticas, subnutridas com problemas de saúde claros. Não é preciso ser médico para ver que estão ali a fingir que não estão nestes protocolos médico”, explicou de seguida.
Joana Latino prosseguiu dizendo que está a “ser vendido à sociedade que quanto mais pequeno/diminuído fisicamente se for, mais valor se tem. E que ter um bocadinho de peso fora dessas medidas é responsabilidade do próprio, culpa do próprio, e essa pessoa é condenada socialmente por não ser um tamanho zero”.
“Quando estamos a falar de um tamanho zero, estamos a falar de um XXS em Portugal. Estamos a dizer que uma pessoa que seja S, M, L ou XL, que não tem nada a ver, sequer, com excesso de peso, é condenável do ponto de vista social. Que essa pessoa é falhada, tem menos valor, não presta. Estamos a valorizar coisa que há dez anos não fazíamos, quando se valorizava a diversidade de corpos, até as barbies havia as de anca mais larga e as de anca mais estreitas, as mais altas, as mais baixas…
Agora estamos a voltar outra vez aos espartilhar, a uma ideia que veio muito do patriarcado e que pesa sobretudo sobre as mulheres, que é a obediência, o autocontrolo, a autodisciplina para tu praticamente desapareces. E este desaparecer não é só o peso, é também a mente”, continuou.
“A Carolina faz o que ela quiser. O que não consigo perceber é que alguém que falou publicamente falou do seu excesso de peso, e da forma como lidava com o corpo, agora resolva que tem todo o direito – direito do qual abdicou quando falou tanto quando as coisas estavam em excesso de peso – de não falar sobre isto quando há uma transformação muito rápida do seu corpo”, opinou ainda.
“Não queremos que a Carolina fale da forma como está a perder peso – eu e os meus alter egos -, mas o que sinto é que ela tem um dever moral de dizer o que é que se está a passar com ela, que trabalho é que está a fazer e o que é que a motiva, sobretudo, emocionalmente para ter feito esta mudança”, argumentou.
“Porque se ela foi inspiradora na aceitação de um corpo maior, também pode ser inspiradora no seu contrário. E o que ela está a fazer é enxotar as pessoas, a ser pedante e a armar-se em superior para falar desta questão, o que acho que é lamentável e dá-me a sensação que ela está só a entrar num espartilho social da diminuição corporal, pressão que a sociedade agora exerce”, completou. Veja aqui a opinião de Joana Latino.
“Amei-me gorda e amo-me magra”, diz Deslandes após fã falar em hipocrisia
O tema ficou em destaque sobretudo depois de Carolina Deslandes ter respondido a uma seguidora.
“Ainda no outro dia ouvia alguém dizer: quando estão gordas, o discurso é em defesa de quem é gordo e do orgulho do seu corpo, o de aceitação, o de grito de revolta contra a imagem de que o magro é que é bonito. A Carolina foi uma dessas pessoas e sempre disse que não tinha complexos. Hoje pergunto: o que aconteceu a essa Carolina? Terá sido pressão? Hipocrisia?”, disse a referida seguidora, que recebeu depois a resposta da cantora.
“O meu discurso é de liberdade e liberdade de escolha. E de nos amarmos independentemente da nossa forma. Amei-me gorda e amo-me magra, não me parece que isso seja o significado de hipocrisia. Sou livre de me apresentar e estar como me fizer sentir melhor. Desejo-lhe o mesmo a si. Resto de bom dia”, reagiu Carolina Deslandes.

