A cantora canadense Joni Mitchell anunciou hoje que se tornou cidadã norte-americana após mais de 60 anos a viver nos Estados Unidos, revelando o seu desejo de participar nas eleições americanas.
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14/10/2026
por
Lusa
A cantora e compositora de origem canadiana Joni Mitchell anunciou hoje que se tornou cidadã norte-americana depois de mais de seis décadas a viver nos Estados Unidos.
Joni Mitchell, de 82 anos, publicou na sua conta na rede social Instagram um vídeo da cerimónia em que recebeu a cidadania, surgindo com uma bandeira norte-americana.
“Uma viagem que começou há 62 anos”, declarou a compositora, citada por agências internacionais de notícias.
Mitchell não explicou por que motivo decidiu pedir a cidadania norte-americana, mas meios canadianos de comunicação social recordaram hoje que, durante um concerto realizado em Los Angeles, em 2024, depois de interpretar “Dog Eat Dog”, a cantora declarou: “Que se lixe Donald Trump. Adoro esta música”.
Nesse concerto, Joni Mitchell lamentou não poder votar nas eleições americanas e recordou que continuava a ser canadiana.
No passado mês de fevereiro, na gala dos prémios Grammy, em que foi distinguida, Joni Mitchell apareceu com um ‘pin’ “ICE Out” na lapela, num protesto contra as ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.
Nascida em 1943, em Fort Macleod, na província canadiana de Alberta, Joni Mitchell mudou-se para os Estados Unidos em 1965 com o então marido, o músico norte-americano Chuck Mitchell.
O casamento acabou dois anos mais tarde, mas, nessa altura, Joni Mitchell já tinha consolidado o seu nome no circuito de música folk.
Depois de viver em Detroit e Nova Iorque, estabeleceu-se na Califórnia, onde se tornou uma das figuras centrais de Laurel Canyon, bairro residencial de Hollywood, um dos epicentros da música popular nas décadas de 1960 e 1970.
O seu álbum de estreia, “Song to a Seagull”, data de 1968 e abriu caminho a “Ladies of the Canyon”, o seu primeiro álbum a alcançar o disco de ouro.
O seu mais recente álbum de estúdio, “Shine”, data de 2007. Em 2014, editou a coletânea “Love Has Many Faces: A Quartet, A Ballet, Waiting To Be Danced”, que foi distinguida pelos Grammy.
Em 2015, um aneurisma cerebral afastou-a da cena musical e da pintura, a que se dedicara, e exigiu um longo processo de recuperação.
Joni Mitchell regressou aos palcos em 2022, com uma atuação surpresa no Festival Newport, acompanhada pela cantora Brandi Carlile. A gravação desse concerto dar-lhe-ia novo Grammy, como Melhor Álbum de Folk Contemporâneo.
Desde então, Joni Mitchell tem realizado concertos do tipo “Joni Jam” – como se estivesse na sua sala de estar -, com a participação de convidados.
Em 2023, foi-lhe atribuído o Prémio Gershwin de carreira. Na altura, foi homenageada por músicos como Annie Lennox, Angélique Kidjo, Herbie Hancock (com quem tocara), Diana Krall, Cyndi Lauper, Graham Nash, James Taylor, Lucius, Marcus Mumford e Sara Bareilles, que interpretaram canções suas como “Both Sides Now”, “Big Yellow Taxi” e “The Circle Game”.
Este ano, recebeu o Grammy de Melhor Álbum Histórico, pela coletânea “Joni Mitchell Archives – Vol. 4: The Asylum Years (1976-1980)”, e o prémio Juno, do Canadá, pelo conjunto da obra, que lhe foi entregue pelo primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.
Criadora de álbuns como “Blue”, que se mantém entre as referências da música folk, “Wild Things Run Fast” e “Mingus”, de homenagem ao contrabaixita de jazz Charlie Mingus, Joni Mitchell soma, entre outros prémios, quatro Junos e 11 Grammy.
Em 1997, foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame.
O realizador Cameron Crowe prepara um ‘biopic’ sobre Joni Mitchell, que deverá ser interpretada por Meryl Streep, segundo o executivo Clive Davis, conforme noticiado no início deste ano.
A cantora reside atualmente em Santa Bárbara, Califórnia, e mantém uma casa em Sunshine Coast, na província canadiana da Colúmbia Britânica.

