O líder norte-coreano Kim Jong Un regressou hoje ao seu país após uma visita à cidade fronteiriça chinesa de Dandong, onde se reuniu com Wang Huning, um dos principais dirigentes do Partido Comunista Chinês.
© REUTERS/Kim Soo-hyeon
24/10/2026
por
Lusa
O líder norte-coreano Kim Jong Un regressou hoje ao seu país após uma visita à cidade fronteiriça chinesa de Dandong, onde se reuniu com Wang Huning, um dos principais dirigentes do Partido Comunista Chinês.
Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, Wang Huning transmitiu a Kim Jong Un “as cordiais saudações e os melhores votos do presidente chinês Xi Jinping”, num encontro em que ambos abordaram a cooperação económica e prestaram homenagem aos soldados chineses falecidos na Guerra da Coreia (1950-1953).
“Quando Kim Jong Un partiu de Dandong, Wang Huning acompanhou-o até à ponte do Novo Rio Yalu, entre a China e a Coreia do Norte”, acrescenta.
A agência estatal Xinhua informou que Wang, membro do Comité Permanente do Politburo, o órgão máximo de poder do Partido Comunista da China (PCC), recebeu Kim em Dandong, na província nordeste de Liaoning.
Wang, considerado o principal ideólogo do presidente chinês, Xi Jinping, liderou a receção, não tendo sido mencionada a presença do primeiro-ministro Li Qiang, que os meios de comunicação sul-coreanos tinham noticiado anteriormente, citando fontes governamentais anónimas.
Durante o encontro, Wang propôs aproveitar a inauguração da nova ponte sobre o rio Yalu, que liga Dandong à cidade norte-coreana de Sinuiju, para ampliar o comércio e os intercâmbios de pessoas entre ambos os países, embora não tenham sido divulgados acordos concretos.
A ponte foi inaugurada no passado dia 15 de outubro, após quase 12 anos de atrasos desde que a sua construção foi concluída, em 2014, devido à falta de estradas de acesso e de instalações aduaneiras no lado norte-coreano.
A infraestrutura, financiada pela China, tem cerca de três quilómetros de comprimento e quatro faixas de rodagem e foi concebida para facilitar o transporte rodoviário entre os dois países, que partilham uma fronteira de mais de 1.400 quilómetros.
Kim e Wang prestaram homenagem aos soldados chineses falecidos na Guerra da Coreia (1950-1953) e visitaram uma fábrica de automóveis em Dandong, antes de o líder norte-coreano deixar a China pelo nova ponte fronteiriça, segundo a agência, que também informou da participação do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.
A visita ocorre a menos de um mês do encontro, na cidade chinesa de Shenzhen, entre os líderes dos EUA, Donald Trump, da Rússia, Vladimir Putin, e do anfitrião, Xi Jinping, por ocasião da cimeira de líderes do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).
Tanto Trump como Putin mostraram-se, nas últimas semanas, abertos a realizar, neste contexto, juntamente com Xi, uma reunião trilateral para abordar a guerra na Ucrânia, embora também não se descarte que o presidente norte-americano aproveite a sua viagem à Ásia para um potencial encontro com Kim, com quem já se reuniu em Singapura, em junho de 2018, durante o seu primeiro mandato.
No entanto, meios de comunicação internacionais, citando várias fontes com conhecimento da situação, publicaram esta semana que tanto Washington como Seul consideram pouco provável um encontro este ano entre Kim e Trump, até agora o único governante dos EUA que se reuniu com um líder da Coreia do Norte.
A última vez que Kim visitou a China foi em setembro de 2025, quando o líder deste país se reuniu em Pequim com Xi, no âmbito da comemoração do 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.

