Um lagar industrial de Abrantes prevê aumentar em 50% a azeitona transformada na campanha 2026/2027, enquanto unidades tradicionais do Médio Tejo destacam a qualidade e os rendimentos, mas mantêm reservas quanto à produção.
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30/10/2026
por
Lusa
Um lagar industrial de Abrantes prevê aumentar em 50% a azeitona transformada na campanha 2026/2027, enquanto unidades tradicionais do Médio Tejo destacam a qualidade e os rendimentos, mas mantêm reservas quanto à produção.
“Esperamos aumentar em cerca de 50% a quantidade de azeitona transformada em comparação com o ano passado”, afirmou à Lusa Alberto Serralha, da Sociedade Agrícola Ouro Vegetal (SAOV), em Abrantes, distrito de Santarém.
A unidade industrial, que iniciou a laboração em 21 de setembro e recebe azeitona de pequenos, médios e grandes olivicultores, regista boa qualidade do fruto e rendimentos elevados.
“O tempo seco tem ajudado nas operações de colheita e a manter a qualidade da azeitona”, explicou Alberto Serralha, destacando a reduzida incidência de pragas e doenças e o menor peso do fruto, por falta de água, como fatores favoráveis aos rendimentos.
A empresa aponta a energia e a mão de obra como principais fatores de aumento dos custos e a descida do preço do azeite como maior risco da campanha.
Nos lagares tradicionais, que recebem sobretudo pequenos produtores, os responsáveis confirmam a melhoria da qualidade e dos rendimentos, mas estão cautelosos quanto ao volume de azeitona entregue.
Em Gateiras de Santo António, Torres Novas, Vítor Coutinho, sócio-gerente do lagar Herdeiros de João Augusto, considera a campanha excecional em qualidade, mas diz que só no final será possível avaliar os resultados.
“Nota-se um certo desinteresse do pessoal na apanha”, afirmou, explicando que muitos produtores recolhem apenas o necessário para consumo familiar, devido à descida do preço do azeite e às reservas de anos anteriores.
Segundo o responsável, de 74 anos, em algumas zonas de Torres Novas a azeitona que rendia 13 litros de azeite por 100 quilos está agora a proporcionar 16 litros.
O lagar, em atividade desde 26 de setembro, transformou cerca de 1.500 a 1.600 toneladas na campanha anterior, segundo Coutinho, que admite que muita azeitona dos olivais tradicionais poderá ficar por colher.
A unidade, que substituiu em 2008 o sistema de prensas por uma linha contínua de extração em duas fases, trabalha sobretudo com pequenos olivicultores, recebendo azeitona de várias centenas de produtores.
Na Coopoval, Cooperativa Agrícola de Olivicultores de Valhascos, no Sardoal, os rendimentos também superam os do ano passado, embora persistam dúvidas sobre a quantidade a transformar.
“A produção de azeitona é mais. O pessoal é que apanha menos”, afirmou o responsável Arlindo Pires, de 73 anos, apontando a falta de mão de obra e a reduzida compensação económica da colheita.
A cooperativa, que iniciou a campanha em 06 de outubro, transforma habitualmente cerca de 400 toneladas e espera manter esse volume, com rendimentos de 17% a 18%, em peso, contra cerca de 11% no ano passado.
Apesar dos maiores encargos com energia, água, pessoal e tratamento de efluentes, mantém a moagem em 13 cêntimos por quilo para cooperantes e 18 para os restantes produtores.
Em Vale das Mós, Abrantes, José Carlos Bairrão, de 61 anos, responsável por um lagar familiar com origem em 1883, confirma a boa qualidade da azeitona, mas considera prematuro antecipar a produção final.
O empresário, que iniciou a laboração em 19 de outubro, refere uma entrada regular de azeitona, embora os pequenos produtores sejam cada vez menos.
De uma lista histórica de cerca de 1.700 clientes, estima que apenas 10% continuem ativos, devido ao envelhecimento dos agricultores e à falta de continuidade geracional.
Neste lagar, a moagem subiu de oito para 10 cêntimos por quilo, sobretudo devido aos custos de gestão de resíduos.
A nível nacional, a Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal prevê um crescimento próximo de 10% na produção de azeite, face às 160 mil toneladas da campanha anterior, atribuindo a perspetiva à boa floração, disponibilidade hídrica e entrada em produção de novos olivais, mas alertando para os custos dos combustíveis.

