O presidente da Renamo, Ossufo Momade, reconheceu tensões internas no partido e apelou à unidade, sem se pronunciar sobre o seu futuro, apesar da contestação.
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21/10/2026
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Lusa
O presidente da Renamo, Ossufo Momade, reconheceu hoje tensões internas no partido moçambicano, pedindo o regresso aos princípios da organização para reforçar a unidade, mas sem se pronunciar sobre o seu futuro, apesar da contestação.
“Reconheço que vivemos tempos de tensão interna. Reconheço que existem mapas, ambições e leituras diferentes sobre o rumo do partido. Não vim aqui negar a divergência porque um partido sem divergência é um partido sem vida”, afirmou Ossufo Momade, na abertura da terceira reunião do Conselho Nacional da Renamo, que decorre durante dois dias em Maputo.
O líder falava perante cerca de 200 participantes, entre dirigentes e membros seniores da histórica força da oposição moçambicana, numa altura em que a sua liderança continua a ser contestada por setores internos do partido.
Segundo Ossufo Momade, a diversidade de opiniões não constitui uma fraqueza, mas uma demonstração de maturidade democrática.
“O que não pode existir é a divergência que se transforma em rutura, a crítica que se transforma em injúria e o debate que se transforma em guerra interna”, declarou, sem nunca esclarecer o seu futuro.
O presidente da Renamo defendeu que a unidade partidária deve assentar na confiança, no diálogo franco, no respeito pelos estatutos e na capacidade de encontrar soluções coletivas para os problemas comuns.
“Se esta casa foi capaz de superar a perda dos seus dois maiores símbolos, não permitiremos que seja ferida pela vaidade, pela disputa e ambição de assaltar o poder. Nada justifica que entreguemos aos nossos adversários de mão beijada a vitória que nunca conseguiram no voto popular”, afirmou.
Para Ossufo Momade, a solução para os problemas atuais da organização passa por colocar o interesse coletivo acima das divergências internas e resgatar os princípios que nortearam o partido ao longo da sua história.
“Voltemos à origem, voltemos ao tempo em que a equipa compartilhava a última oração. Voltemos ao lado de quem sabe que a causa é maior do que qualquer um de nós”, apelou.
O porta-voz da Renamo, Marcial Macome, avançou que o Conselho Nacional, que conta com 120 conselheiros da organização, deverá igualmente apreciar uma proposta de lei para o reconhecimento dos fundadores da organização, André Matsangaissa e Afonso Dhlakama, como heróis nacionais.
“Essa proposta será debatida ao nível do Conselho Nacional e, depois de aprovada, será submetida à Assembleia da República para que possam ser considerados heróis nacionais”, afirmou.
Entre os pontos da agenda do encontro consta ainda a definição da data do próximo Congresso Nacional, que deverá deliberar, entre outras matérias, sobre a sucessão da liderança do partido.
Em declarações anteriores à Lusa, o porta-voz da Renamo afastou a possibilidade de Ossufo Momade abandonar a presidência do partido durante o Conselho Nacional, mas reiterou que o líder não será candidato à sua sucessão no próximo congresso, que não está agendado e será tema do segundo dia desta reunião.
A realização do Conselho Nacional era defendida por críticos internos de Ossufo Momade, incluindo o antigo deputado António Muchanga, que tem apelado publicamente à saída do líder da Renamo.
Há vários meses que antigos guerrilheiros exigem a demissão de Ossufo Momade, acusando-o de má gestão do partido, falta de pagamento de pensões e subsídios e incapacidade para responder à atual crise interna.
Em 02 de outubro, representantes dos antigos combatentes exigiram participar neste Conselho Nacional, advertindo que não darão “sossego” ao partido caso sejam excluídos do processo.
Candidato presidencial apoiado pela Renamo nas eleições gerais de 2024, Ossufo Momade obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre para um candidato apoiado pelo partido, que perdeu igualmente o estatuto de principal força da oposição para o Podemos.

