Lula da Silva e Flávio Bolsonaro autorizaram o levantamento simultâneo do sigilo bancário a três dias da segunda volta das presidenciais brasileiras. A troca de acusações sobre a entrega efetiva das contas domina a reta final da campanha numa corrida eleitoral em que os candidatos surgem empatados.
© Tuane Fernandes/NurPhoto via Getty Images
22/10/2026
por
Lusa
O presidente brasileiro, Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro autorizaram hoje o levantamento «recíproco, simultâneo e total» dos respetivos sigilos bancários, a três dias da segunda volta das eleições, de acordo com o Partido dos Trabalhadores (PT).
“Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro candidatos à Presidência da República, já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total dos respetivos sigilos”, diz o documento, segundo o portal G1.
As campanhas dos candidatos assinaram uma carta dirigida ao Tribunal Superior Eleitoral com os termos do acordo, cuja validade termina à meia-noite de hoje.
O presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, pediu, numa declaração aos jornalistas, «celeridade» ao Ministério Público e ao tribunal eleitoral para concretizar a medida antes da segunda volta, que se realiza este domingo.
«Isto mostra a transparência de Lula», disse Silva, que deu conta da intenção da campanha de disponibilizar as informações numa página de acesso público na Internet.
Os porta-vozes de Lula afirmaram também que o líder brasileiro tinha aceitado as exigências impostas pelo filho de Jair Bolsonaro para divulgar as suas próprias informações bancárias.
Contudo, a campanha de Bolsonaro denunciou, em comunicado, que o adversário não apresentou qualquer documento bancário e acusou-o de «fingir» e de criar uma «cortina de fumo».
Depois de Lula o ter desafiado a abrir as suas contas durante o debate eleitoral de domingo passado, Bolsonaro disse que só aceitaria se o chefe de Estado permitisse, entre outras condições, o levantamento do sigilo bancário de um dos seus filhos, Fábio Luís Lula da Silva, investigado por tráfico de influências.
A campanha do Presidente tem insistido, por seu lado, no acesso às informações bancárias de uma empresa que o adversário alegadamente detém com um advogado investigado por branqueamento de capitais.
Esta discussão tem dominado a reta final da corrida eleitoral, num contexto em que os dois candidatos surgem tecnicamente empatados nas sondagens.
A segunda volta das presidenciais brasileiras é disputada no domingo.
Na primeira volta, em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

